Atentado leva jornais dos EUA a questionar ocupação

O maior atentado cometido no Iraque até agora que deixou pelo menos 20 mortos na sede da ONU, entre os quais o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, não chegou a abalar os iraquianos. A maioria responsabilizou os EUA pela instabilidade que atinge o país. A imprensa local noticiou o atentado, mas não o atribuiu a ninguém. Nos Estados Unidos, os jornais de uma forma geral concordam, em editoriais, que o atentado é uma prova de que os americanos não controlam o Iraque."Para prevalecer sobre o terrorismo, a Casa Branca deverá reformular radicalmente seu enfoque do pós-guerra", aconselha em editorial The New York Times. "O ataque contra o QG da ONU sugere que uma internacionalização da ocupação americana não seria uma panacéia", diz The Washington Post. "O atentado de Bagdá comprova o que temos assinalado: o vínculo entre Saddam e a Al-Qaeda talvez não possa ser estabelecido, mas ambos compartilham um propósito comum: expulsar os EUA do Oriente Médio", diz o The Wall Street Journal."Já não importa se havia um vínculo entre Saddam e a Al-Qaeda - agora o Iraque é um centro do terrorismo", alerta USA Today.Para a colunista Jessica Stern, do New York Times, os "EUA criaram um Estado terrorista com sua invasão do Iraque, onde, pela ausência de autoridade e da ordem, o terror se congrega". A morte de Vieira de Mello, representante especial da ONU no Iraque, foi deplorada hoje por vários países, entre os quais Irã, Austrália e Camboja (onde ele atuou em nome das Nações Unidas).

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