Atentado mais sangrento em Damasco deixa 55 mortos e mais de 370 feridos

Um duplo atentado a bomba deixou ao menos 55 mortos e 372 feridos ontem em Damasco, segundo o governo sírio. As maiores de uma série de explosões que têm ocorrido na capital síria desde dezembro deixaram a impressão de que a Síria se distancia do tipo de luta armada travada na Líbia no ano passado e mergulha na violência indiscriminada que tomou conta do seu vizinho Iraque depois da queda de Saddam Hussein, em 2003.

LOURIVAL SANTANNA, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 03h07

Com um intervalo de segundos, duas bombas potentes explodiram na frente do prédio da Filial Palestina da Inteligência Militar, num complexo de segurança no trevo rodoviário de Al-Qazaz, em Damasco. De acordo com o Ministério do Interior, os mais de 1.000 kg de explosivos estavam em dois veículos conduzidos por "terroristas suicidas". "As explosões abriram dois buracos, um de 5,5 por 3,3 metros e 1 metro de profundidade, e outro de 8,5 metros de largura por 2,5 de profundidade", informou o ministério, citado pela agência oficial Sana.

As explosões, ouvidas em grande parte da cidade, ocorreram às 7h56 de Damasco (1h56 em Brasília), quando muitos trabalhadores chegavam ao trabalho e crianças entravam numa escola próxima. Muitos pedaços de corpos ficaram espalhados por ruas e calçadas. O Hospital Al-Mowasat, o mais próximo do local, ficou abarrotado de feridos. O Observatório Sírio de Direitos Humanos, ligado à oposição e com sede em Londres, afirmou que 59 pessoas morreram, a maioria integrantes das forças de segurança.

O Ministério do Interior informou que 15 sacos com pedaços mutilados de cadáveres foram retirados da área. A agência Sana publicou no seu site uma sequência de fotos mostrando esse cenário. O ministério disse ainda que 400 casas foram atingidas, 105 carros completamente destruídos e outros 78, danificados.

Ninguém tinha reivindicado até ontem a autoria do atentado. Um grupo denominado Frente Al-Nusra para Proteger o Levante assumiu os ataques a bomba de janeiro e março em Damasco e de fevereiro em Alepo, a segunda cidade mais importante do país. Fontes que tiveram acesso a informações do serviço de inteligência americano disseram ao Estado em abril que os autores desses atentados tinham relação com a Al-Qaeda - possivelmente a sua filial iraquiana.

De acordo com a agência Reuters, a TV síria mostrou um homem apontando para os escombros e dizendo: "Isso é liberdade? Isso é obra dos sauditas".

A Arábia Saudita, juntamente com seu vizinho Catar, tem defendido a entrega de armas aos rebeldes.

Nadine Haddad, que foi candidata às eleições parlamentares de segunda-feira, boicotadas pela oposição, responsabilizou o primeiro-ministro do Catar, Hamad bin Jassim al-Thani: "Que vergonha, xeque Hamad. Você agora está destruindo o povo sírio, não o regime. Você está matando crianças a caminho da escola." O governo do Catar condenou o atentado e pediu que os dois lados ponham fim ao derramamento de sangue.

O Ministério das Relações Exteriores sírio enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU pedindo a adoção de "medidas contra países, grupos e agências de notícias que estão praticando e encorajando o ter", segundo a Sana.

A Rússia, que ao lado da China tem bloqueado sanções contra a Síria no Conselho, também fez acusações veladas. "Alguns de nossos parceiros estrangeiros estão fazendo coisas práticas para que a situação na Síria se incendeie nos sentidos literal e figurado", disse o chanceler russo, Sergei Lavrov, segundo a Reuters.

O Conselho de Segurança, o governo americano e a União Europeia condenaram o que chamaram de "atentado terrorista". Jay Carney, porta-voz da Casa Branca, disse no entanto que esses grupos não são representativos da oposição ao regime sírio.

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