Atentado mata 10 e Israel reage com bombardeios

O conflito palestino-israelense mergulhou nesta quarta-feira numa espiral de retaliações fora de controle, com ataques sucessivos de ambos os lados. Na ação mais sangrenta, dez pessoas morreram e pelo menos 30 ficaram feridas em uma emboscada armada por extremistas palestinos diante do assentamento judaico de Immanuel, na Cisjordânia. Pouco depois, caças-bombardeiro F-16 de Israel atacaram alvos da segurança palestina na Faixa de Gaza e Cisjordânia.Uma bomba foi detonada por controle remoto na passagem de um ônibus vindo de Tel-Aviv perto da entrada da colônia de Immanuel situada perto da cidade autônoma palestina de Nablus, no norte cisjordaniano. Pouco depois, três palestinos lançaram granadas contra o veículo e abriram fogo de metralhadora contra passageiros do ônibus e de carros atingidos pela explosão e também contra as equipes de socorro recém-chegadas ao local. Um dos terroristas foi morto por um motorista israelense, que lançou o carro sobre ele, e os outros dois fugiram.Quase simultaneamente, dois atacantes suicidas explodiram bombas atadas a seus corpos no assentamento judeu de Gush Katif, na Faixa de Gaza, ferindo vários colonos. Os atacantes foram mortos.O atentado contra o ônibus israelense foi reivindicado por duas organizações, o fundamentalista islâmico Hamas e as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa - facção armada da Fatah, grupo a que pertence o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat. Um comunicado conjunto dizia que o ataque era "em resposta aos assassinatos, seqüestros e detenções" de membros dessas organizações, numa referência às recentes incursões dos militares israelenses nos territórios ocupados para prender e matar palestinos acusados de planejar e realizar atentados.A AP condenou os atentados palestinos e anunciou à noite o fechamento de todos os escritórios, bem como instituições educacionais e de saúde do Hamas e de outro grupo radical islâmico, a Jihad Islâmica, mas não mencionou as brigadas da Fatah. O desmantelamento dos grupos radicais vem sendo exigido por Israel, EUA e, mais recentemente, pela União Européia.Cerca de uma hora mais tarde, quatro caças-bombardeiro F-16 de Israel atacaram um posto das forças de segurança na Faixa de Gaza e bombardearam Nablus. Tanques israelenses cercaram Ramallah, onde se encontra Arafat. Não há informações sobre vítimas.Antes da retaliação israelense a situação já estava muito tensa na Faixa de Gaza por causa de ataques desencadeados pelos dois lados. No fim da noite de terça-feira soldados israelenses e militantes palestinos haviam trocado tiros perto da colônia de Gush Katif, depois de um ataque de morteiros contra esse assentamento. Minutos depois, o Exército de Israel lançou mísseis contra uma área no campo de refugiados de Khan Yunis. Morreram 4 palestinos (dois policiais e dois civis) e cerca de 20 ficaram feridas.Desde a onda de atentados suicidas em Israel, há duas semanas, Israel tem bombardeado os territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, ocupados pelo país em 1967, e Arafat vem sendo pressionado a prender os radicais. O líder palestino afirma estar comprometido com a adoção de um cessar-fogo para a retomada das negociações de paz. Nos últimos dias a AP deteve cerca de 180 ativistas de grupos islâmicos, mas os EUA e Israel consideram a medida insuficiente. Os grupos radicais, incluindo os vinculados à Fatah, ganharam apoio popular durante a intifada e continuam desafiando a autoridade de Arafat.

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