Atentado mata 12 e fere mais de 70 em parada militar no Irã

Governo acusa militantes curdos por explosão durante marcha para lembrar os 30 anos da guerra com o Iraque

REUTERS e AP, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

TEERÃ

Doze pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas ontem na explosão de uma bomba durante uma parada militar na cidade de Mahabad, no noroeste do Irã. Militantes atuam na área, cuja maioria da população é curda. Foi o atentado mais grave ocorrido nos últimos anos na região.

O artefato estava escondido em uma bolsa perto de uma árvore, na rota do desfile, e foi detonado por controle remoto no momento em que uma multidão assistia a um desfile militar em homenagem ao 30.º aniversário do início da guerra contra o Iraque (1980-1988). Todas as vítimas eram civis que assistiam ao evento - a maioria mulheres e crianças. Nenhum soldado ficou ferido na explosão.

Militantes curdos dificilmente atacam civis em sua luta armada pelos direitos das minorias curdas, aumentando os indícios de que a bomba teria sido detonada antes do planejado. Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque.

Vahid Jalalzade, governador da Província de Azerbaijão Ocidental, onde fica Mahabad, responsabilizou grupos contrarrevolucionários pelo atentado, em referência aos separatistas curdos. Segundo o governador, a explosão ocorreu a 50 metros da tribuna oficial, e entre os mortos estão as mulheres de dois comandantes militares locais.

Mahabad é uma cidade majoritariamente curda, localizada em uma região que registrou confrontos armados nos últimos anos e atentados atribuídos por Teerã aos rebeldes curdos.

Os separatistas, a maioria com bases no norte do Iraque, entram em choque frequentemente com soldados iranianos nessa região.

Há relatos de que ativistas curdos foram presos, julgados e executados recentemente pelo regime iraniano. Os curdos são um povo sem território que se espalha por Turquia, Iraque, Síria e Irã e correspondem a 20% da população iraniana.

Considerado por Teerã um grupo terrorista, o Partido da Vida Livre do Curdistão (PJAK) é uma ramificação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que tomou armas em 1984 na Turquia pela criação de um Estado.

PARA LEMBRAR

Em setembro de 1980, o Iraque invadiu o Irã para tomar uma região rica em petróleo e modificar a demarcação da fronteira. Os EUA apoiaram militarmente o Iraque numa tentativa de depor o regime islâmico instalado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Após 8 anos de conflito e desgaste, foi assinado o cessar-fogo.

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