Atentado mata 15 em café de Marrakesh

Pelo menos 15 pessoas morreram na tarde de ontem no principal ponto turístico de Marrakesh, no Marrocos, em um ataque terrorista que destruiu o café Argana - que concentra estrangeiros na Praça Jamaa el-Fna. Segundo testemunhas, um homem-bomba invadiu a cozinha do local e detonou seus explosivos próximo aos botijões de gás do estabelecimento.

AP e Reuters, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2011 | 00h00

O porta-voz do governo, Khalid Naciri, afirmou após a explosão que ainda era cedo para saber quem articulou a ação, classificada por ele como um ataque terrorista. Mas lembrou que as autoridades marroquinas desmantelam com frequência células ligadas à Al-Qaeda do Magreb Islâmico, braço do grupo radical muçulmano que atua no Norte da África. "O Marrocos tem uma imagem internacional de hospitalidade e turismo. Uma ação com essa magnitude deixará marcas", disse.

"Análises preliminares das evidências coletadas no local da explosão confirmam a teoria de um ataque", informou o Ministério do Interior em um comunicado. Inicialmente, a informação era a de que teria ocorrido um acidente, mas as autoridades marroquinas logo afastaram essa hipótese, classificando a ação como um atentado.

O londrino Andy Birnie, que está em lua de mel em Marrakesh, contou à Associated Press que "era hora do almoço, por isso a praça (Jamaa el-Fna) estava muito movimentada". "Houve um forte estrondo e muita fumaça subiu. Centenas de pessoas começaram a correr, em pânico. Toda a fachada do café (Argana) foi destruída", afirmou. Ele disse que as barracas que vendem sucos em frente ao local da explosão o protegeram do impacto. "Choveu cinzas", acrescentou.

O turista português Alexandre Carvalho contou que "havia acabado de chegar à praça, onde estão a maioria dos cafés" pouco antes da ação. "De repente, ouvi essa forte explosão. Estava de costas. Quando me virei, vi o que aconteceu com a varanda do café (que ficou completamente destruída pelo impacto)", declarou.

Turistas. Onze dos mortos eram estrangeiros e outros quatro, marroquinos. Segundo a emissora marroquina 2M, seis eram franceses e a nacionalidade de outros ainda era desconhecida ontem. Pelo menos 23 pessoas ficaram feridas na explosão. Segundo a agência Reuters, sete franceses, dois suíços e oito marroquinos sofreram ferimentos. Segundo Alexandre Carvalho, "julgando pelas roupas que (as vítimas) vestiam, a maioria era turista".

"Cinco dos estrangeiros feridos estão em estado grave. Perderam membros, sofreram sérios ferimentos no abdômen ou graves fraturas por causa da explosão", informou o médico Halim Saidi, do Hospital Ibn Tofail. Segundo Saidi, um francês e um outro estrangeiro morreram a caminho da unidade de saúde. O médico afirmou ainda que os marroquinos feridos não correm risco de morrer.

A Praça Jamaa el-Fna é considerada patrimônio histórico da humanidade pela Unesco e todos os anos serve como o destino para milhares de turistas ocidentais em busca de contato com a cultura islâmica. Encantadores de serpente, contadores de história e o intenso comércio de artesanato e comida chamam a atenção de quem passa pelo local. Marrakesh reúne artesãos de todo o Marrocos, que vendem suas mercadorias na medina grudada à praça. A explosão de ontem ocorreu no principal acesso de Jamaa el-Fna à cidade antiga que concentra os comerciantes.

O rei do Marrocos, Mohammed VI, prestou condolências aos parentes das vítimas e ordenou uma investigação aos ministérios do Interior e da Justiça para encontrar os autores e a motivação do atentado.

Se a teoria de que o ataque foi cometido por radicais islâmicos for confirmada, a explosão de ontem será a primeiro grande ação do gênero no Marrocos desde 2003, quando 12 homens-bomba detonaram seus explosivos em vários pontos de Casablanca e mataram 33 pessoas.

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