Atentado mata 33 e reforça temor de novo ciclo de violência no Iraque

Segundo ataque em 3 dias em Bagdá põe em xeque vitória sobre milícias e ameaça obstruir plano de retirada dos EUA

AP e NYT, BAGDÁ, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2009 | 00h00

No segundo grande atentado em três dias no Iraque, um suicida detonou ontem os explosivos que carregava perto de um grupo de líderes sunitas e xiitas que passeavam em um mercado nos arredores de Bagdá. As autoridades haviam acabado de deixar um encontro sobre a reconciliação nacional. Atribuído à Al-Qaeda, o ataque deixou pelo menos 33 mortos e 46 feridos. Especial multimídia relembra os principais momentos da Guerra do Iraque No domingo, uma explosão perto de uma academia de polícia da capital matou 32 pessoas. Os recentes atentados reforçaram o temor de que militantes consigam lançar uma nova onda de terror após um período de queda da violência no país e o anúncio do presidente americano, Barack Obama, de retirar as tropas de combate do Iraque até 2010. No mesmo período de 2008, entretanto, o número de vítimas da violência foi quatro vezes maior do que em 2009.No ataque de ontem, um militante com explosivos presos ao corpo infiltrou-se no grupo de líderes tribais que andava pelo mercado. O comerciante Ahmed Ali disse ter escutado gritos de "Deus é grande" e disparos segundos antes da explosão. "Escondi-me por alguns instantes e quando levantei minha cabeça vi corpos arrasados, incluindo de mulheres e crianças. Sobreviventes berravam de medo", afirmou Ali.As autoridades haviam deixado uma reunião, patrocinada pelo governo do premiê Nuri al-Maliki, para avançar os esforços de reconciliação política na região de Bagdá. Dois jornalistas e seguranças, entre eles um coronel, que acompanhavam o grupo também morreram.O ataque aconteceu em Abu Ghraib, distrito de Bagdá que abriga a infame prisão onde, em 2004, americanos fotografaram abusos praticados contra detentos em um dos maiores escândalos da guerra.Nenhum grupo assumiu a autoria da recente onda de violência, mas o comandante dos EUA no Iraque, o general Ray Odierno, afirmou que "esses ataques foram conduzidos por pequenas células ligadas à Al-Qaeda". "Infelizmente, esses grupos ainda conseguem recrutar pessoas para fazer isso."O prefeito de Abu Ghraib, Shakir Fizaa, também culpou a Al-Qaeda. "O objetivo do ataque é frear a reconciliação e a melhora na segurança. Mas não seremos detidos por atos contra civis inocentes.""A reconciliação é a única reposta para os atos diabólicos que tentam arrasar os esforços nacionais", afirmou o porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh.De acordo com os planos da Casa Branca, que mantém 140 mil soldados no Iraque, as tropas dos EUA deixarão as cidades iraquianas já nos próximos três meses e 12 mil soldados serão retirados até setembro, conforme anunciou Obama no domingo. No mesmo mês, 4 mil britânicos deixarão o Iraque. A presença estrangeira no país deve ser encerrada em 2011. PRORROGAÇÃOApesar de os EUA afirmarem que os índices de violência no Iraque atingiram seu patamar mais baixo desde 2003, militantes passaram a cometer atentados ousados, especialmente no norte do país, próximo de Mossul. Bagdá, onde aconteceu o atentado de ontem, é considerada uma região relativamente segura.Odierno, entretanto, descartou a possibilidade de o governo Maliki solicitar a prorrogação da ocupação americana. "Com os progressos que fizemos e a situação que temos hoje, não vejo nada que nos faça renegociar a data-limite de 2011", afirmou.O comando militar americano deu sinais ontem de que, após a prometida saída dos 12 mil militares em setembro, poderá retirar ainda mais soldados do Iraque. A decisão suplementar poderá envolver até 3.500 homens. Mas ela só será tomada depois de uma nova avaliação das condições de segurança, disse Odierno.FRASESAhmed AliComerciante iraquiano"Escondi-me por alguns instantes e, quando levantei minha cabeça, vi corpos arrasados, incluindo de mulheres e crianças. Sobreviventes berravam de medo"Shakir FizaaPrefeito de Abu Ghraib"O objetivo do ataque é frear a reconciliação e a melhora na segurança. Mas não seremos detidos por atos contra civis inocentes"Ray OdiernoGeneral dos EUA"(Os recentes ataques) foram conduzidos por pequenas células ligadas à Al-Qaeda. Infelizmente esses grupos ainda conseguemrecrutar pessoas para fazer isso"

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