Atentado mata 6 israelenses na Bulgária

Bomba explode ônibus repleto de turistas de Israel no aeroporto de Burgas, no Mar Negro; ataque deixa ainda pelo menos 32 feridos

SÓFIA, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2012 | 03h03

Um ônibus lotado de jovens israelenses explodiu ontem no aeroporto de um resort búlgaro, matando pelo menos 6 pessoas e ferindo 32, informou o Ministério de Relações Exteriores da Bulgária. A explosão ocorreu na cidade de Burgas, no Mar Negro, cerca de 400 quilômetros a leste da capital, Sófia.

Nas imagens da TV israelense e búlgara viam-se rolos de fumaça sobre o estacionamento do aeroporto da cidade, onde os turistas israelenses haviam acabado de chegar. O incêndio provocado pela explosão - causada aparentemente por uma bomba colocada no porta-malas do ônibus - atingiu outros ônibus e carros. A Bulgária, país do Leste Europeu que faz fronteira com a Grécia e a Turquia, é destino frequente de turistas israelenses.

Ainda não se sabia ao certo a causada explosão. Nos momentos seguintes ao atentado, especulava-se que um terrorista suicida teria se infiltrado no local. Nenhum grupo assumiu imediatamente a responsabilidade pelo ataque. Turistas israelenses têm sido frequentemente alvo de ataques fora do seu país. Já ocorreram atentados na Índia, Tailândia e Azerbaijão. Israel suspeita que o Irã esteja por trás desses ataques, contribuindo para aumentar as tensões entre as duas nações, já exacerbadas pelas advertências israelenses contra um suposto programa de produção de armas nucleares no Irã.

O porta-voz da chancelaria israelense, Jonathan Rosenzweig, disse que um voo procedente de Tel-Aviv acabara de pousar no aeroporto às 16h45, horário local, e a explosão se deu 40 minutos depois. Os turistas aparentemente estavam subindo nos ônibus com destino aos seus hotéis.

Gal Malka, que testemunhou a explosão, afirmou ao Canal 2 da TV israelense que viu alguém subir no ônibus antes que ele explodisse. Malka, que se feriu sem gravidade, disse que o ônibus estava repleto de adolescentes israelenses.

"Estávamos na entrada do ônibus e em poucos segundos ouvimos um estrondo enorme", declarou.

O ministro do Interior da Bulgária, Tsvetan Tsvetanov, disse à TV búlgara que alguns dos feridos encaminhados a um hospital das proximidades permaneciam em estado grave.

O aeroporto foi fechado e o tráfego aéreo redirecionado para outros lugares. Enquanto isso, em Sófia, a prefeita Yordanka Fandakova, ordenou o aumento do efetivo policial em todos os locais públicos ligados à comunidade israelense. Há cerca de 5 mil judeus na Bulgária e a maioria deles mora na capital.

Acusação. Segundo o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, "todos os sinais apontam para o Irã" (mais informações nesta página). Netanyahu observou que o ataque se seguiu a tentativas semelhantes de atentados contra objetivos israelenses na Índia, Geórgia, Tailândia e Quênia e Chipre, nos últimos meses.

Teerã não emitiu nenhum comentário imediato. O Irã, que insiste ter um programa nuclear pacífico, acusou Israel de ordenar uma série de ataques mortais contra cientistas nucleares iranianos iniciadas no ano passado.

Israel nunca admitiu tal envolvimento, mas, juntamente com outros países, acusou o Irã de supostas missões de represália, incluindo o bombardeio ocorrido em Nova Délhi em fevereiro, no qual a mulher de um diplomata israelense ficou ferida, e a descoberta de um arsenal em Bangcoc, que segundo a polícia tailandesa estava relacionado a um complô para atingir diplomatas israelenses. O Irã negou envolvimento.

Em Baku, capital do Azerbaijão, representantes das forças de segurança anunciaram em março a prisão de 22 suspeitos supostamente contratados pelo Irã para realizar atentados terroristas contra as embaixadas americana e israelense e outro locais relacionados ao Ocidente.

O ataque de ontem coincidiu também com o 18.º aniversário do atentado contra um centro da comunidade judaica em Buenos Aires que matou 85 pessoas (mais informações nesta página). Autoridades israelenses temem que o grupo guerrilheiro Hezbollah, apoiado pelo Irã, tente atacar cidadãos de Israel no exterior. O Hezbollah acusou o Estado judeu de assassinar um líder de alto escalão em Damasco em 2008 e prometeu vingar sua morte.

O vice-ministro de Relações Exteriores, Danny Ayalon, afirmou no Canal 2 da TV israelense que não houve informação prévia de um ataque na Bulgária. Para o especialista em contraterrorismo, Boaz Ganor, o Irã e o Hezbollah são os mais prováveis culpados. Ele afirmou que todas as indicações apontam para eles. E citou também a prisão de um agente do Hezbollah em Chipre nos últimos dias, suspeito de preparar um ataque semelhante.

"Essa é provavelmente uma operação paralela e com certeza não será a última", afirmou. "Tudo isso parece coisa do Hezbollah, do Irã ou uma combinação de ambos." / NYT

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