Atentado mata a ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto

A líder oposicionistapaquistanesa Benazir Bhutto foi morta na quinta-feira por umhomem-bomba, mergulhando o país em uma das piores crises dosseus 60 anos de história independente. O atentado, ocorrido depois de um comício em Rawalpindi,desencadeou uma onda de violência, especialmente na provínciado Sindh, e deve provocar o adiamento da eleição parlamentar de8 de janeiro, que marcaria a volta do país ao regime civil. Bhutto, 54 anos, era imensamente popular entre os pobres doPaquistão e esperava chefiar o governo pela terceira vez. Ela morreu num hospital de Rawalpindi, onde fica a sede doExército e onde o pai dela, o ex-premiê Zulfikar Ali Bhutto,foi enforcado em 1979, depois de ser deposto num golpe militar. A polícia disse que o homem-bomba ainda fez disparos contraBhutto antes de se lançar sobre ela na hora da explosão, quematou pelo menos 16 outras pessoas. "É um ato dos que desejam que o Paquistão se desintegre",disse Farzana Raja, dirigente do Partido do Povo do Paquistão,de Bhutto. "Eles acabaram com a família Bhutto." O ex-premiê Nawaz Sharif, que era adversário dela, disseque seu partido decidiu boicotar as eleições e culpou opresidente Pervez Musharraf, que o depôs em 1999, por criarinstabilidade. "Eleições livres não são possíveis na presença deMusharraf", disse ele em entrevista coletiva em Islamabad."Musharraf é a raiz de todos os problemas." O presidente impôs estado de emergência em novembro, numaaparente tentativa de impedir que o Judiciário se manifestassecontra sua reeleição. Sob pressão internacional, neste mêsMusharraf deixou o cargo de comandante do Exército, tomou possecomo líder civil e suspendeu o estado de emergência. Em Karachi, capital da província do Sindh, milhares depessoas saíram às ruas para protestar. Pelo menos três agênciasbancárias, uma repartição pública e uma agência dos correiosforam incendiadas, segundo uma testemunha. "Há confusão empraticamente todos os lugares", disse uma autoridade policial. PROTEGIDA DOS EUA Os Estados Unidos, que dependem do Paquistão na luta contraa Al Qaeda e o Taliban no vizinho Afeganistão, confiavam emBhutto, formada por Harvard e Oxford, como a melhor soluçãopara a volta à democracia. "Os Estados Unidos condenam fortemente este ato covarde deextremistas assassinos que estão tentando abalar a democraciado Paquistão", disse o presidente George W. Bush em nota. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, viu no crime "umaagressão à estabilidade", e o Conselho de Segurança estabeleceuconsultas sobre a situação. Em um curto pronunciamento, Musharraf condenou "nos termosmais fortes possíveis o ataque terrorista que resultou natrágica morte de Bhutto e de muitos outros paquistanesesinocentes". Ele não fez menção à possibilidade de adiar aseleições. Bhutto já havia sido alvo de um atentado suicida em 19 deoutubro, quando ela desfilava por Karachi ao voltar de oitoanos de exílio. O ataque matou quase 150 pessoas. Benazir Bhutto foi a primeira mulher a ocupar o cargo deprimeira-ministra num país islâmico, ao ser eleita em 1988, aos35 anos. Deposta em 1990, voltou ao cargo em 1993, mas foinovamente afastada em 1996, sob acusação de corrupção eincompetência, o que ela atribuía a motivações políticas. Uma fonte do partido disse que o marido de Bhutto, Asif AliZardari, está a caminho de Islamabad, onde recolherá o corpopara sepultá-lo em Larkana, cidade da família Bhutto, onde estáenterrado o pai dela. (Reportagem adicional de Kamran Haider e Robert Birsel)

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