Atentado mata pelo menos 41 xiitas e fere outros 90 no Irã

Dois homens bomba se explodiram em mesquita do sudeste do país; grupo sunita Soldados de Deus assumiu a autoria

, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Pelo menos 41 pessoas morreram depois que 2 homens-bomba se explodiram próximo a uma mesquita xiita na cidade portuária de Chabahar, no sudeste do Irã, próximo à fronteira com o Paquistão. O atentado ocorreu durante uma cerimônia religiosa e deixou 90 feridos. O grupo sunita Soldados de Deus admitiu a autoria.

A agência de notícias estatal Irna afirmou que os terroristas tinham como alvo uma celebração da véspera da Ashura - principal data dos xiitas, em que a morte do neto de Maomé, o Imã Hussein, é lembrada. A mesquita atacada leva o mesmo nome do inspirador do xiismo.

Um dos terroristas detonou seus explosivos do lado de fora e outro se aproximou de um grupo de religiosos para o ataque, segundo informou a televisão estatal. Forças de segurança teriam atirado contra um deles, que conseguiu explodir seu artefato mesmo assim. Um terceiro homem-bomba teria sido preso. Um bebê recém-nascido e três mulheres foram encontrados entre os mortos.

Os Soldados de Deus têm feito ataques esporádicos no sudeste do país alegando que pretendem combater a discriminação iraniana contra a minoria sunita, que se concentra naquela região. Os militantes declararam na internet que o atentado de ontem foi um segundo ato de vingança contra a execução de seu líder, Abdulmalik Rigi.

"Esta operação foi um aviso para que o regime iraniano pare com sua interferência nos assuntos religiosos dos sunitas, pare as execuções e solte os prisioneiros. Caso contrário, os atentados suicidas continuarão com mais força", diz o comunicado do grupo.

Para o vice-ministro do Interior iraniano, Ali Abdollahi, "provas e o tipo de equipamento usado sugerem que os terroristas eram apoiados pelos EUA e serviços de inteligência de alguns Estados da região". "O alvo dos terroristas é disseminar a discórdia entre xiitas e sunitas. Tais ações só podem ser feitas pelo regime sionista ou pelos EUA", disse o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani.

O presidente americano, Barack Obama, condenou o ataque. "Este e outros atos similares de terrorismo não reconhecem fronteiras religiosas, políticas ou nacionais", declarou.

De acordo com Mahmoud Mozaffar, do Crescente Vermelho, os serviços de emergência da região entraram em alerta nos últimos dias por causa de ameaças anônimas.

Em julho, dois homens-bomba mataram 28 pessoas na Província de Sistan-Baluquistão, a mesma do ataque de ontem.

Os Soldados de Deus também assumiram a autoria do atentado sob a alegação de que estavam vingando a morte de Rigi, no mês anterior. A data era o aniversário do Imã Hussein. / AP e THE GUARDIAN

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