Atentado mata presidente da Chechênia, mais 6 pessoas, e deixa 53 feridos

O presidente da Chechênia, Akhmad Kadyrov, apoiado pelo Kremlin, e pelo menos outras seis pessoas (segundo números oficiais) morreram perpetrado neste domingo em um atentado a bomba num estádio de Grozny, capital chechena, durante a celebração do 59º aniversário da vitória soviética contra a Alemanha nazista. Inicialmente, o centro de emergências de Grozny relatou 24 mortos, mas depois as agências russas divulgaram que sete pessoas morreram, inclusive uma menina de oito anos, e 53 ficaram feridas. Não havia nenhuma explicação para números tão divergentes. A morte de Kadyrov foi anunciada no Kremlin pelo presidente russo, Vladmir Putin, ao lado do filho do dirigente checheno, Ramzan Kadyrov. O Kremlin informou que o primeiro-ministro checheno, Sergei Abramov, assumirá a presidência chechena interinamente. Entre os mortos também estão o chefe do Conselho de Estado da Chechênia, Hussein Isayev, e o fotógrafo checheno da agência Reuters, Adlan Khasanov, de 33 anos. O comandante das forças russas na região, general Valery Baranov, está entre os feridos. Uma de suas pernas foi arrancada e ele foi submetido a uma cirurgia de emergência. Seu estado de saúde é crítico. Em Bruxelas, a União Européia (UE) condenou o "ato terrorista" que resultou na morte do presidente checheno. "Eu condeno esse ataque terrorista cometido em Grozny no qual o presidente Kadyrov foi assassinato", declarou Javier Solana, comissário de Relações Exteriores da UE. O vice-ministro do Interior da Chechênia, Khamid Kadayev, disse que a bomba havia sido colocada dentro do piso de concreto na ala VIP do Estádio Dínamo, onde estavam os dignatários, para que não fosse detectada pelas intensas medidas de segurança. Ele não esclareceu como a bomba foi colocada lá, mas o estádio passou recentemente por uma reforma. O porta-voz do Ministério de Situações Emergenciais, Sergei Kozhemyaka, afirmou que também foi encontrada uma mina terrestre no estádio. Um investigador disse à tevê NTV que foi achado ainda um projétil de artilharia de 152 milímetros. O Ministério do Interior russo informou que cinco pessoas foram presas por suspeita de envolvimento no atentado. Os investigadores estão tentando identificar os operários que trabalharam na reforma, que durou três meses. Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque, mas a suspeita recaiu imediatamente sobre os rebeldes separatistas chechenos, que por várias vezes tinham tentado matar Kadyrov - eleito presidente em outubro em eleições consideradas fraudulentas. O ministro checheno da Informação, Taus Dzhbrailov, imediatamente acusou o líder rebelde Aslan Maskadov e o homem mais procurado por Moscou, o combatente checheno Shamil Basayev. Kadyrov tinha 52 anos. Ele havia lutado ao lado dos separatistas durante a primeira guerra russo-chechena (1994-96), mas depois mudou de lado, dizendo que para obter a paz na Chechênia os rebeldes tinham de ser combatidos. A morte de Kadyrov complica os esforços do presidente russo, Vladimir Putin, para normalizar a situação na conflituosa república. Apesar de ser impopular e até mesmo odiado e temido por uma parte da população, Kadyrov, um ex-líder religioso muçulmano, tinha um peso político indiscutível. Sua morte também põe em xeque o eixo da política externa russa que consiste em convencer a comunidade internacional de que o conflito checheno - considerado um problema interno por Moscou, mas apresentado como parte da luta contra o terrorismo internacional - estava praticamente encerrado.

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