Atentado mata quatro israelenses na Cisjordânia

Um carro explodiu na noite desta quinta perto de um posto de gasolina na entrada da colônia judaica de Kedumin, na Cisjordânia, matando quatro israelenses e um palestino. A polícia suspeita que os israelenses, não identificados, deram carona para o extremista suicida vestido como se fosse um judeu ortodoxo, que detonou os explosivos. Pouco depois, as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa assumiram a autoria do ataque e identificaram o terrorista como Mahmud Masharka, de 24 anos, de Hebron. A organização é um braço armado dissidente da Fatah, o partido do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas. Esse atentado ocorre num momento delicado das relações entre palestinos e israelenses. Na terça-feira, o grupo radical islâmico Hamas assumiu a chefia do governo palestino, sem ceder à pressão internacional para que reconheça a existência de Israel e renuncie à luta armada. Nesse mesmo dia, o partido do primeiro-ministro interino, Ehud Olmert, o Kadima, venceu as eleições parlamentares de Israel. É provável que Olmert ordene medidas duras em represália pelo atentado. Pela manhã, o ministro da Defesa, Shaul Mofaz, já havia determinado a intensificação da política de assassinato seletivo contra militantes do grupo extremista Jihad Islâmica, que se responsabilizou na terça-feira pelo lançamento desde a Faixa de Gaza de um foguete do tipo Katyusha contra Israel. Esse projétil tem o dobro do alcance dos foguetes Qassam, o único tipo até então usados pelos extremistas. Depois que Abbas acertou em fevereiro de 2005 com os principais grupos palestinos um acordo para o fim de ataques contra os israelenses, apenas a Jihad Islâmica havia desfechado atentados suicidas. Apesar de manter um cessar-fogo há um ano e meio, o Hamas deixou claro que não vai perseguir os grupos que continuam promovendo ataques contra israelenses. Também nesta quinta, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse a repórteres que a acompanhavam a Berlim que os EUA podem estar abertos para apoiar o plano do partido Kadima de determinar unilateralmente as fronteiras definitivas do país. Rice disse que um acordo negociado com os palestinos seria preferível, mas afirmou que isto parecia improvável já que o grupo militante Hamas venceu as eleições palestinas em janeiro. Essa é a primeira vez que os EUA parecem ter abrandado sua insistência para que o conflito seja solucionado bilateralmente. União Européia, EUA, Rússia e ONU alertaram o governo palestino liderado pelo Hamas que ele pode perder a assistência financeira se não reconhecer Israel.

Agencia Estado,

30 Março 2006 | 22h25

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