Chris Carlson/AP
Chris Carlson/AP

Atentado no Arizona faz Congresso dos EUA adiar votações decisivas

Ofensiva republicana contra reforma da saúde, vitória de Obama em 2010, é suspensa, sob acusações de democratas de que 'retórica radical' da oposição estimula a violência; médicos da deputada baleada no sábado dizem-se 'cautelosamente otimistas'

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE/NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2011 | 00h00

A votação de uma lei para repelir a reforma do sistema de saúde na Câmara dos Deputados dos EUA, prevista para o dia 12, foi adiada depois do atentado que feriu no sábado a deputada democrata Gabrielle Giffords e matou seis pessoas, incluindo um juiz federal e uma criança de nove anos. A decisão busca acalmar os ânimos em um país dividido entre democratas e republicanos.  

 

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Ao anunciar o adiamento de toda a agenda parlamentar desta semana, o novo presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, do Partido Republicano, disse que "assim, podemos tomar as medidas necessárias em relação aos eventos de ontem (sábado)".

Os republicanos, que agora são maioria na Câmara, pretendiam desmontar a reforma do sistema de saúde, considerada a principal vitória do presidente Barack Obama em 2010. A ação seria simbólica, já que o Senado é majoritariamente democrata e não aprovaria a medida.

Giffords, de 40 anos, deputada desde 2007, criticava duramente a lei anti-imigração do Arizona, apoiada pelos republicanos. Também defendia a reforma do sistema de saúde, que é uma bandeira de Obama. Nos últimos meses, ela recebeu uma série de ameaças.

Os médicos diziam ontem estar "cautelosamente otimistas" quanto ao estado de saúde dela. A deputada conseguiu responder a estímulos, sendo capaz de entender o que se passa ao seu redor. Os próximos dias serão fundamentais para ver sua evolução. A recuperação, segundo os médicos, pode durar meses e eles não descartam sequelas.

Até ontem o assassino, Jared Lee Loughner, de 22 anos, não colaborava com as investigações. Ele foi indiciado por cinco assassinatos e tentativa de homicídio.

Declarações incendiárias. Depois do atentado, os políticos tentam reduzir o acirramento dos debates em Washington, que têm polarizado partidários do governo de Barack Obama e a oposição.

Ao longo do fim de semana, republicanos e democratas discutiam em programas de TV se houve motivação política ou não para o ataque ocorrido durante encontro da deputada com eleitores em um supermercado de Tucson, no Arizona. A discussão também migrou para o Twitter e blogs na internet.

Conforme destacou o site Politico, um dos mais respeitados dos EUA, prevalecia o argumento de que "a direita política seria a responsável pelo massacre, ainda que por associação indireta", por mais que não houvesse provas neste sentido, na avaliação da publicação na internet.

O xerife responsável pelas investigações foi um dos que culpou o cenário político e indiretamente os republicanos. "Quando você observa pessoas desequilibradas, como elas respondem a declarações de determinadas bocas atacando o governo. A raiva, o ódio e o preconceito neste país são repugnantes. Especialmente no Arizona, que teria se tornado a capital, a Meca do preconceito", afirmou Clarence Dupnik. Seu cargo de xerife é eletivo e ele integra o Partido Democrata.

Palin na mira. "Estamos em um lugar obscuro neste país agora e o ambiente é tóxico", disse o deputado democrata Emmanuel Cleaver. "Eu culpo a retórica radical", acrescentou a também democrata Carolyn McCarthy.

Políticos do partido também criticavam a líder republicana Sarah Palin "por suas palavras violentas", segundo disse o senador Richard Durbin. A ex-governadora do Alasca havia feito uma campanha contra Giffords nas eleições de novembro.

O senador republicano Jon Kyl, do Arizona, discordou, lembrando que não se sabe ainda o que motivou o assassinato.

"Sabemos apenas que ele tinha problemas mentais", afirmou, descartando a possibilidade de haver qualquer ligação entre a tragédia e a retórica radical.

Garota assassinada por atirador nasceu no 11 de Setembro

Uma das seis vítimas do atirador de Tucson, a garota de 9 anos Christina Taylor Green teve o começo e o fim de sua vida marcados por tragédias. Ela nasceu no dia em que a Al-Qaeda atacou as Torres Gêmeas e o Pentágono, em 11 setembro de 2001. Christina foi ao evento em Tucson porque queria conhecer mais sobre o mundo da política. O avô da garota foi jogador de beisebol e o pai trabalha em um time de Los Angeles. /EFE

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