Atentado suicida deixa pelo menos nove mortos em Tel Aviv

Pelo menos nove pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas, duas delas em situação extremamente grave, durante um ataque de um terrorista suicida palestino, aparentemente da Jihad Islâmica. O terrorista detonou uma bomba em um restaurante de fast-food de Tel Aviv. Horas depois do atentado, a Jihad Islâmica divulgou um vídeo em que Sami Salim Mohammed, um adolescente da região de Jenin, no norte da Cisjordânia, anunciava sua intenção de realizar um atentado suicida em Israel em nome da organização. Na Faixa de Gaza, o dirigente da Jihad Islâmica Khalid al Batsh louvou o atentado suicida ao afirmar a jornalistas que parabenizava "o povo por esta valente operação". Segundo Al Batsh, o ataque "foi uma resposta ao assassinato do dirigente (do braço armado da Jihad Islâmica) Siraya al Quds Khalid ad Dahduh e do dirigente do braço armado dos Comitês de Resistência Popular, Abdel Guga", em duas explosões em fevereiro e março. Já Sami Abu Zuhri, porta-voz do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), partido islâmico que dirige o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), afirmou que o atentado suicida "faz parte do direito legítimo dos palestinos à autodefesa". Fontes do gabinete do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, expressaram em nome do dirigente palestino - que está na Jordânia e deve chegar nesta noite a Ramallah - sua condenação do atentado suicida. Resposta Por outro lado, o primeiro-ministro designado israelense, Ehud Olmert, assegurou que Israel "saberá como e quando responder". O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, convocou nesta segunda-feira uma reunião especial para analisar com altos comandantes do exército e outros corpos de segurança do Estado a resposta ao atentado suicida. Este foi o terceiro ataque palestino no território de Israel este ano - o segundo fatal -, e o primeiro desde que o grupo radical islâmico Hamas assumiu o governo da ANP. O lugar escolhido para o atentado, um restaurante de fast-food com o nome de "O Prefeito" ("Rosh Ha´ir"), já foi alvo de outro ataque similar, atribuído à Jihad Islâmica, em 19 de janeiro, seis dias antes das eleições legislativas palestinas. O escritório do porta-voz do exército israelense revelou que os serviços secretos não tinham informação específica sobre atentados nesta segunda-feira em qualquer cidade do país. No entanto, havia 80 alertas de possíveis ataques contra alvos israelenses não especificados. Israel está em estado de alerta máximo por causa da festa da Páscoa judaica (Pessach) e o atentado em Tel Aviv coincide com o fechamento parcial dos territórios palestinos e um aumento das operações do exército israelense na Cisjordânia. Horas antes do atentado, soldados israelenses feriram dois palestinos, um deles de 13 anos, em uma operação na cidade cisjordaniana de Nablus, para onde se dirigia um comboio de veículos blindados. O ataque foi cometido horas antes do começo da XVII legislatura israelense e de os 120 deputados do novo Parlamento (Knesset) assumirem seus cargos em Jerusalém. A palavra da UE O representante da União Européia para política exterior, Javier Solana, condenou o ataque terrorista de Tel Aviv como "um dos atos mais covardes" e pediu que todas as autoridades envolvidas façam de tudo para impedir uma nova onda de violência. Washington repudia o ataque O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, afirmou à imprensa que o atentado é "um ato de terrorismo desprezível para o qual não há desculpa nem justificativa". "Expressamos nossas condolências aos que ficaram feridos e às famílias das vítimas fatais, assim como ao governo e ao povo de Israel", acrescentou McClellan.

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