Atentado suicida mata 90 soldados e deixa 220 feridos na capital do Iêmen

Um atentado suicida matou ontem 90 soldados iemenitas em Sanaa, capital do país. O ataque, cometido por um terrorista disfarçado, deixou mais de 220 feridos e foi o mais sangrento no Iêmen desde o início da revolta popular que derrubou o regime de Ali Abdullah Saleh, no ano passado.

SANAA, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2012 | 03h07

A Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) assumiu a autoria do atentado, dizendo que a ação era uma resposta aos "crimes" cometidos pelas forças de segurança iemenitas na Província de Abian, no sul do país.

"Nós nos vingaremos, se Deus quiser, e as chamas da guerra lhe alcançarão por todas as partes", disse a rede terrorista, em comunicado. O objetivo da operação, segundo a AQPA, era assassinar o ministro de Defesa, Mohammed Nasser Ahmad, que estava no local, mas escapou ileso.

O ataque ocorreu na Praça al-Sabin, no sul da capital, diante da tribuna destinada a personalidades que deveriam assistir ao desfile de hoje, que marca o 22.º aniversário da unificação entre o norte e o sul do Iêmen. A parada foi transferida para uma escola militar e terá uma lista restrita de convidados. Além do ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior, general Ahmed Ali al-Ashwal, também estava na Praça al-Sabin no momento da explosão - ele não ficou ferido.

Vários militares que presenciaram o ataque disseram que, no fim dos ensaios, um suicida, disfarçado com uniforme militar, detonou um cinturão de explosivos quando estava rodeado por centenas de soldados. A explosão foi tão forte que abriu uma cratera no asfalto e espalhou pedaços de corpos por todas os lados.

Destituições. Todos os mortos "são oficiais e soldados", afirmou o coronel Amin al-Alghabati. "A maioria dos sobreviventes apresenta ferimentos na cabeça e o número de mortos pode aumentar ainda mais", disse Mohsen al-Dhahari, médico iemenita.

As vítimas pertenciam a unidades da segurança central, um corpo do Exército dirigido pelo general Yahia Mohamed Abdullah Saleh, sobrinho do presidente deposto. A primeira resposta do presidente Abd Rabo Mansour Hadi ao ataque de ontem foi destituir três altos funcionários dos serviços de segurança, entre eles o sobrinho de Saleh.

Foi o primeiro grande atentado em Sanaa desde a chegada de Hadi ao poder, em fevereiro. Ao assumir o cargo, o novo presidente se comprometeu a continuar a lutar contra a AQPA. Recentemente, os EUA intensificaram a ajuda militar para o governo iemenita e aumentaram os ataques a militantes islâmicos com aviões não tripulados - os bombardeios têm deixado vítimas civis e revoltado os iemenitas, mesmo aqueles que se opõem à AQPA.

Ofensiva militar. No domingo, um instrutor americano foi gravemente ferido em uma emboscada cuja autoria foi reivindicada pelo grupo Ansar al-Sharia (Seguidores da Lei Islâmica), vinculado à Al-Qaeda.

O aumento da violência ocorre dez dias após o início de uma grande ofensiva contra os redutos da AQPA na Província de Abian. Segundo o governo, as operações militares deixaram até agora 234 mortos: 158 combatentes da Al-Qaeda, 41 soldados, 18 milicianos e 17 civis. / REUTERS, AFP e AP

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