Abukar Albadri/Efe
Abukar Albadri/Efe

Atentado suicida mata ministro do Interior da Somália

Abdi Hassan comandava o combate à milícia islâmica Al-Shabab; país enfrenta violentos protestos contra saída de primeiro-ministro

, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

MOGADÍSCIO

O ministro do Interior da Somália, Abdi Shakur Sheik Hassan, foi morto ontem num atentado suicida em sua casa em Mogadíscio, capital do país. Segundo os parentes da vítima, uma sobrinha de Hassan, de 19 anos - também morta durante a ação -, detonou os explosivos que levava sob a roupa. A jovem integrava a milícia radical islâmica Al-Shabab, ligada à rede terrorista Al-Qaeda, que assumiu a autoria do ataque.

O ministro assassinado era responsável ainda pela pasta da Segurança Nacional e comandava o combate à Al-Shabab na Somália. Nos últimos sete meses, desde que o premiê Mohamed Abdulahi Farmajo assumiu o poder, o governo retomou grandes trechos do território dominados pela milícia em Mogadíscio e no sul do país.

"Eu estava no portão quando uma mulher entrou na casa. De repente, ouvi uma forte explosão, vi o corpo da mulher-bomba. Ela costumava frequentar a residência e nunca levantou suspeitas nem foi revistada. Ela sempre usava véu e cobria o rosto. Desta vez, porém, ela levava explosivos debaixo das roupas", contou o motorista de Hassan, Ahmed Mohamed.

A vítima ainda foi socorrida com vida, mas não resistiu aos ferimentos. O premiê somali lamentou a morte do ministro, afirmando que Hassan era responsável por "restaurar a paz e a estabilidade do país".

Manifestações. Há dois dias, a Somália tem enfrentado protestos contra a demissão do premiê. Na quinta-feira, o presidente do país, Sharif Sheik Ahmed, e o líder do Parlamento, Sharif Hassan Adan, firmaram um acordo, com mediação da ONU e de Uganda, que determina a extensão dos mandatos presidenciais e parlamentares e sela a saída de Farmajo no prazo máximo de um mês.

Segundo o pacto, o mandato dos congressistas e do presidente fica estendido até 2012, para que os líderes tenham a oportunidade de enfrentar os problemas políticos e de segurança na Somália. Antes, os políticos deveriam deixar os cargos em agosto.

Ontem, pelo menos duas pessoas foram mortas pelas forças de segurança no segundo dia de protestos em Mogadíscio. Segundo a agência EFE, uma terceira pessoa teria morrido durante as manifestações.

Ostentando cartazes com os dizeres "Continue onde está, Farmajo", os somalis prometiam seguir ocupando as ruas da capital enquanto a saída do premiê não for revogada.

Os manifestantes também queimaram fotos da representação da ONU no país, por causa do apoio que a organização internacional deu ao acordo que exige a saída do premiê.

De acordo com testemunhas, entre os mortos de ontem estavam um adolescente e um soldado do Exército, que, durante a repressão ao protesto, havia passado para o lado dos manifestantes. / AP, REUTERS e EFE

PARA ENTENDER

Na quinta-feira, um acordo mediado pela ONU determinou a ampliação dos mandatos do presidente e dos parlamentares da Somália. O pacto enfureceu a população, pois determina a saída do premiê Abdulahi Mohamed, que ocupa o cargo há sete meses e tem combatido a milícia islâmica Al-Shabab.

 

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