Atentado terrorista deixa 30 mortos no Afeganistão

Ataque foi o mais grave registrado no país desde a queda do regime Taleban

EFE

29 de setembro de 2007 | 03h04

Militantes Taleban fizeram um ataque suicida contra um ônibus militar em Cabul neste sábado, 29, matando 28 soldados e dois civis e ferindo 29 pessoas, segundo o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. No início da manhã, às 6h45 (23h45 de Brasília), um terrorista suicida com um uniforme do Exército entrou num ônibus militar e detonou um explosivo, segundo o chefe de investigação criminal da Polícia de Cabul, Ali Shah Paktiawal. Um porta-voz do Ministério da Defesa afegão, Zahir Murad, tinha dito, num primeiro momento, que o atentado havia causado a morte de 27 pessoas. No entanto, mais tarde, o próprio presidente afirmou que 28 soldados e dois civis perderam a vida no ataque. "Foi uma tragédia terrível, um ato de extrema covardia. Quem quer que o tenha cometido atuou contra o povo, contra a humanidade, definitivamente, contra o Islã", disse Karzai. "Um homem que se considera muçulmano não mataria gente inocenteem pleno Ramadã", acrescentou. Após o atentado, os milicianos logo reivindicaram a autoria do ataque, que ainda deixou 29 pessoas feridas, segundo o Ministério da Defesa. "Um de nossos mujahedins (guerreiros islâmicos) cometeu o ataque e matou 35 soldados do Exército afegão", disse o porta-voz do Taleban Zabiullah Mujahid.O ataque aconteceu num bairro de Cabul, quando o ônibus seguia uma rota regular para pegar militares. Segundo testemunhas, a explosão destruiu totalmente o ônibus e causou danos a vários veículos próximos. Em seguida, ambulâncias e caminhões chegaram ao local para levar as vítimas aos hospitais, entre as quais havia muitos pedestres que caminhavam junto ao ônibus quando ocorreu a explosão. Em 17 de junho, num outro atentado na capital afegã, a explosão de um ônibus de instrutores policiais em frente a uma delegacia matou 35 pessoas e feriu outras 35. Esse ataque foi o mais grave registrado no país desde a queda do regime Taleban, em 2001, e o próprio Mujahid reivindicou sua autoria em nome da milícia: "Nossos mujahedins tinham planejado esse ataque há muito tempo. E hoje conseguimos", disse na ocasião.  Em setembro de 2006, 16 civis afegãos e dois soldados americanos também perderam a vida na explosão de um carro-bomba nos arredores da embaixada dos Estados Unidos em Cabul. Afastada dos principais refúgios Taleban, a capital registrou afegã foi palco de vários atentados nos últimos meses, sendo o de 17 de junho e o de hoje os mais graves em número de vítimas. A milícia transformaram os atentados suicidas numa tática generalizada no país a partir de 2006, como mostrou um estudo publicado pela Missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) em 9 de setembro. Segundo a pesquisa, o país registrou 77 ataques suicidas na primeira metade de 2007, frente aos 123 registrados em todo o ano passado.  De acordo com a Unama, 80% das pessoas que morreram em ataques do tipo foram civis, como as 17 pessoas - entre elas, 12 crianças - que morreram num atentado suicida contra um mercadoda província de Uruzgan, no centro-sul do país, em 10 de julho. No Afeganistão, mais de 4.100 pessoas já morreram este ano vítimas da violência. O presidente Hamid Karzai propôs neste sábado um encontro com o líder Taleban Mullah Omar para iniciar um diálogo de paz. O objetivo é dar aos militantes posições importantes no governo como forma de acabar com a insurgência no país.

Tudo o que sabemos sobre:
atentadoterrorismoAfeganistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.