Atentados a bomba no Iraque matam mais de 70

Horas após o enforcamento do ex-ditador Saddam Hussein, sentenciado à morte no início de novembro, explosões de carros-bomba detonadas supostamente por insurgentes sunitas mataram mais de 70 pessoas em Bagdá e perto da cidade sagrada xiita de Najaf, atingindo áreas ocupadas por muçulmanos xiitas oprimidos há décadas e agora em ascendência.A violência acontece um dia antes da comemoração do mais importante feriado islâmico, o Eid al-Adha. Não há indicação oficial de que os ataques tenham relação com a execução de Saddam.No norte do Iraque, dois carros-bomba mataram 37 civis e feriram 76 em uma vizinhança mista de xiitas e sunitas. Em outro ataque, outras 31 pessoas morreram e 58 foram feridas em explosão de um microônibus num mercado de peixes na cidade xiita de Kufa, 160 km ao sul da capital. A pessoa culpada por estacionar o veículo na cidade foi morta pela multidão enquanto se afastava do local da explosão, segundo a polícia e testemunhas no local.As forças militares dos EUA no país anunciaram a morte de mais seis de seus soldados, tornando o mês de dezembro o mês mais mortal para os americanos em 2006. Foram três fuzileiros navais (Marines) e três soldados regulares do Exército.A morte deles alavancou o número de americanos mortos para além do recorde de 105 soldados falecidos em outubro. Pelo menos 2.998 membros das forças americanas no país foram mortos desde a invasão ao Iraque me março de 2003, segundo contagem da Associated Press.Reações popularesAs reações populares ao enforcamento de Saddam foram silenciosas, com o país entrando no dia mais sagrado do calendário muçulmano para iniciar uma semana de celebrações no Eid al-Adha. Ao contrário de outros dias de tensão, não foi instaurado toque de recolher em Bagdá após a execução.Momentos depois do anúncio da execução, xiitas dançaram nas ruas de Najaf e motoristas acionaram as buzinas dos carros em desfiles pelo bairro de Sadr City, um reduto xiita de Bagdá. O principal canal de televisão sunita fez uma cobertura limitada da execução, mas mostrou imagens antigas de Saddam ao lado do ex-secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, de um período quando os norte-americanos ajudaram o Iraque na luta contra o Irã. A televisão estatal Iraqiya, por sua vez, mostrou imagens de arquivo de agentes de Saddam degolando e torturando vítimas do regime.Um homem da cidade de Dujail, que testemunhou contra Saddam no julgamento pela morte de 148 xiitas no local, disse que lhe foi possível se aproximar do corpo de Saddam. "Quando eu vi o corpo no caixão, eu chorei. Eu me lembrei dos meus três irmãos e do meu pai que foram mortos por ele", afirmou Jawad al-Zubaidi. "Eu me aproximei do corpo e disse pra ele: essa é uma punição merecida para qualquer tirano. Agora, pela primeira vez, meus três irmãos e meu pai estão contentes". TensãoA rápida execução foi um triunfo para Maliki, cujo comando do frágil governo de coalizão tem sido questionado. Porém, a velocidade do processo pode render críticas. Muitos curdos, por exemplo, ficaram desapontados por Saddam não ter enfrentado um outro julgamento por crimes praticados contra eles.Novas execuções devem ocorrer em uma semana. O meio-irmão de Saddam, Barzan al-Tikriti, e um ex-juiz, Awad al-Bander, deverão ser enforcados após o período do Eid. A filha de Saddam, Raghd, exilada na Jordânia, quer que o pai seja enterrado no Iêmen, disse uma fonte próxima da família. O governante da cidade natal de Saddam, Tikrit, disse que o povoado local estava negociando com o governo para ter o corpo do ex-ditador, que seria sepultado em Awja, onde os filhos de Saddam foram enterrados em 2003. Porém, o governo pretende enterrar o ex-presidente em Bagdá.Com Reuters e APConteúdo atualizado às 16h27

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