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Atentados agitam a campanha francesa

Pesquisas indicam subida de Sarkozy, mas não a ponto de tirar favoritismo de Hollande

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / TOULOUSE, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h01

Às 13h20 de quinta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, convocou redes de rádio e TV para um pronunciamento sobre a morte do terrorista Mohamed Merah, 23 anos, após 32 horas de cerco em Toulouse. Com tom sóbrio, Sarkozy deixou de lado o discurso sobre o "excesso de estrangeiros" no país e usou pela primeira vez sua nova fórmula: a defesa da "unidade nacional".

A menos de 30 dias do primeiro turno das eleições presidenciais na França, a campanha foi transformada pelos três ataques terroristas cometidos pelo radical islâmico - e ninguém sabe quem sairá mais fortalecido da ação policial.

As primeiras avaliações feitas na sexta-feira davam vantagem à posição de Sarkozy diante da crise: 74% dos entrevistados considerando sua atuação correta ante 56% do socialista François Hollande. Também na sexta-feira duas pesquisas revelaram um novo aumento das intenções de voto no atual presidente. Mas nenhum dos institutos é taxativo sobre se a alta tem ou não a influência do atentado da última segunda-feira, em Toulouse, quando três crianças e o pai de uma delas, todos judeus, foram mortos em frente à escola Ozar Hatorah.

Segundo o instituto CSA, Sarkozy agora lidera com 30% da preferência, frente a 28% do segundo colocado, Hollande, candidato do Partido Socialista (PS). Outro instituto, o Ifop, dá 28,5% para o atual chefe de Estado e 27% para seu rival.

Uma terceira sondagem, desta vez realizada pelo instituto BVA, mostra Hollande ainda à frente, com 29,5% dos votos, mas em baixa, contra 28% de Sarkozy, em alta. A novidade nessa pesquisa é a ascensão do candidato de extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon, que ultrapassaria a da extrema direita, Marine Le Pen, e o centrista François Bayrou, chegando aos 14% de votos. Mélenchon representa uma reserva considerável de votos para o socialista no segundo turno, marcado para maio, já que tem um eleitorado fiel e já se comprometeu, por "disciplina republicana", a apoiar Hollande no futuro.

Com base nos dados, os prognósticos convergem para duas conclusões: a primeira é que o presidente sobe nas intenções de voto a quatro semanas da votação e tende a encerrar o primeiro turno à frente; a segunda, de que Hollande mantém a liderança no segundo - com cerca de 54%, contra 46% do adversário.

Ainda assim, analistas não apostam em quem será o próximo presidente da França. "É muito cedo para dizer se a gestão dos últimos dias de grande tensão será favorável a Sarkozy", argumenta o cientista político Frédéric Dabi, do instituto Ifop.

No próximo mês, o presidente terá de manter a tendência de alta sem acentuar o discurso contra a imigração, como vinha fazendo, sob pena de ser acusado de dividir o país e favorecer a radicalização de jovens muçulmanos, como Merah.

Hollande terá de reforçar suas propostas para a segurança pública, um dos pontos fracos do PS. "No momento dos ataques, os franceses estavam descontentes com o tom da campanha, na qual as críticas pessoais tinham muita importância", diz Stéphane Rozès, cientista político da consultoria CAP, de Paris. "Daqui para a frente, voltaremos a comparar a coerência dos projetos."

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