Atentados contra missões americanas na região são raros

Atentados contra missões americanas na região são raros

Fortificados, consulados e embaixadas dos EUA em zonas de conflito têm conseguido conter ações de insurgentes

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2010 | 00h00

NOVA YORK

O Taleban e a Al-Qaeda têm grande dificuldade para atacar representações diplomáticas americanas. Consulados e embaixadas dos EUA em regiões de instabilidade no mundo, como a Ásia Central e o Oriente Médio, costumam ter uma série de barreiras de segurança para impedir que estranhos se aproximem de seus muros.

Na operação de ontem, apesar de bem planejada, os terroristas não conseguiram atravessar com sucesso a barreira, atingindo apenas o muro da instalação. Os prédios no interior da missão ficaram intactos. Por causa dos obstáculos, militantes têm optado por alvos mais fáceis, como hotéis, edifícios de ONGs, do governo e mesmo da ONU.

A ação de ontem também deve obrigar os americanos a trabalharem ainda mais perto dos paquistaneses. Os EUA não possuem tropas no país, apesar de realizarem ataques com aviões não-tripulados, que decolam do Afeganistão e bombardeiam alvos nas regiões tribais na fronteira dos dois países.

Esses ataques irritaram a milícia extremista, que tem crescido no Paquistão. Um porta-voz do grupo, poucos dias atrás, afirmou que se vingaria dos americanos. A opinião pública paquistanesa também é contra os bombardeios.

Para entender

Não é possível fazer uma clara distinção entre o Taleban que atua no Afeganistão e o do Paquistão, diz Jorrit Kamminga, diretor do think-tank Icos. A insurgência, afirma, tornou-se uma espécie de confederação de grupos armados e, na prática, a fronteira afegã-paquistanesa é uma miragem, herança do colonialismo britânico. "O atual Taleban, tanto no Paquistão quanto no Afeganistão, é uma aliança descentralizada que tem um núcleo de radicais herdeiros do grupo dos anos 90. Um segundo e maior grupo é de insurgentes locais", diz Kamminga.

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