Atentados coordenados em Bagdá deixam 72 mortos e 200 feridos

Uma série de explosões deixou 72 mortos e quase 200 feridos no pior atentado coordenado no Iraque em meses. Os ataques ocorreram quatro dias após a retirada das forças americanas e em meio a uma grave crise entre o primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki, e os líderes políticos sunitas que provocou tensões sectárias no país.

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h07

Segundo o Ministério do Interior, 14 alvos foram atingidos em diferentes partes - xiitas e sunitas - de Bagdá, incluindo uma escola. A maioria dos explosivos ou carros-bomba foi detonada na hora do rush, quando muitos iraquianos estavam indo ao trabalho.

Nenhum grupo assumiu a autoria dos atentados. Mas, para analistas, o nível de coordenação sugere uma capacidade de planejamento possuída apenas pela Al-Qaeda iraquiana, que abriga principalmente insurgentes sunitas.

A violência no Iraque vinha declinando, após um pico entre 2006 e 2007 durante a guerra liderada pelos Estados Unidos. Agora que as últimas tropas americanas deixaram o país, pondo fim à guerra, o medo é o de que as forças de segurança iraquianas não sejam capazes de conter o conflito sectário e a instabilidade política possa levar a uma guerra civil.

O pior ataque ocorreu no bairro de Karrada, onde um suicida detonou um carro-bomba diante dos escritórios do departamento de governo que combate a corrupção. Dois policiais afirmaram que o suicida conduzia uma ambulância e disse aos seguranças da área que precisava chegar a um hospital próximo. Depois que os seguranças o deixaram passar, ele parou o veículo diante do prédio e detonou a bomba, deixando ao menos 25 mortos e 62 feridos.

Duas bombas colocadas na beira de estrada explodiram a sudoeste do Distrito de Amil, matando ao menos 7 pessoas e ferindo outras 21. Mais bombas explodiram na região central de Alawi, Shaab e Shula, no norte, todas áreas de maioria xiita. Mas uma bomba também explodiu no bairro sunita de Adhamiya, deixando cinco mortos.

Maliki rapidamente afirmou que os atentados tinham um viés político. "Os momentos desses crimes e os lugares escolhidos confirmam a natureza política dos objetivos", disse o primeiro-ministro em um comunicado.

Para Matthew Henman, analista do Centro Jane's para a Insurgência e o terrorismo, os autores dos atentados buscaram destacar o frágil equilíbrio sectário do sistema político do Iraque.

Crise política. O governo de unidade iraquiano entrou em crise nesta semana após a emissão de uma ordem de prisão contra o vice-presidente sunita Tareq al-Hashimi, acusado pelo governo iraquiano de ter comandado esquadrões da morte e milícias que mataram xiitas. Na segunda-feira, Hashemi afirmou que as acusações são fabricadas e politicamente motivadas.

Na quarta-feira, Maliki pediu às autoridades curdas do norte do país que entreguem o político às autoridades. Hashimi, a maior personalidade política sunita do país, acusa Maliki de querer centralizar o poder. Agora, tanto os sunitas quanto os curdos estão boicotando o Parlamento em retaliação a Maliki.

O premiê, por sua vez, ameaça abandonar o governo de unidade, que foi formado há apenas um ano com o apoio dos EUA.

O presidente americano, Barack Obama, admitiu que a situação no Iraque é tensa, mas reiterou que as tropas americanas estavam deixando para trás um país estável, soberano e autossuficiente, com um governo representativo eleito por seu povo. Na terça-feira, o vice-presidente americano, Joe Biden, pediu que Maliki trabalhe com outras partes para evitar um conflito sectário no país. / REUTERS e AP

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