Aminu Abubakar/AFP
Aminu Abubakar/AFP

Atentados durante 2 cerimônias religiosas deixam 23 mortos na Nigéria

Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques, mas as suspeitas recaem sobre o grupo radical islâmico Boko Haram

O Estado de S. Paulo,

29 de abril de 2012 | 22h00

KANO, NIGÉRIA - Terroristas atacaram ontem pessoas que participavam de uma cerimônia religiosa num campus universitário na cidade de Kano, norte da Nigéria, usando pequenos explosivos para expulsar fiéis em pânico e, em seguida, matá-los num atentado em que pelo menos 18 pessoas perderam a vida, informaram as autoridades.

Homens armados também atacaram uma Igreja Cristã na cidade de Maiduguri, matando quatro fiéis e o pastor. A cidade é considerada reduto espiritual do grupo radical islâmico Boko Haram, que quer adotar a lei islâmica (sharia) no país, até mesmo nas áreas cristãs, e exige a libertação de seus seguidores que estão presos.

Em Kano, os atiradores escolheram uma parte antiga do campus da Universidade Bayero, onde grupos religiosos usam um teatro e outros locais para realizar serviços religiosos, segundo o porta-voz da polícia local, Ibrahim Idris. Muitas outras pessoas ficaram gravemente feridas. "Quando chegamos ao local, eles já haviam desaparecido usando suas motos", afirmou.

Depois do ataque, a polícia e soldados do Exército isolaram o campus enquanto tiros eram ouvidos pelas ruas próximas. Abubakar Jibril, porta-voz da Agência Nacional de Administração de Emergências da Nigéria, disse que as forças de segurança não permitiram que socorristas entrassem no campus. Os soldados impediram também o ingresso de jornalistas na universidade.

"Lançavam explosivos e faziam disparos, provocando muito pânico entre os fiéis. Depois os perseguiram abrindo fogo contra eles. Também atacaram outra cerimônia no complexo desportivo", disse uma testemunha, acrescentando que eles chegaram em um veículo e duas motocicletas.

Segundo informações colhidas por Andronicus Adeyemo, representante da Cruz Vermelha nigeriana, em hospitais e necrotérios da cidade, o ataque deixou pelo menos 18 mortos. Várias pessoas ficaram feridas, embora a agência não dispusesse imediatamente de um número exato.

Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque. Mas Idris disse que os atiradores usaram na ação pequenos explosivos acondicionados em latinhas de refrigerantes, método já usado pelo Boko Haram, cujo nome significa "a educação ocidental é um pecado".

O Boko Haram vem lançando uma luta sectária cada vez mais intensa contra o frágil governo central da Nigéria, usando carros-bomba e fuzis de assalto em ataques em todo o norte do país predominantemente muçulmano, e ao redor da capital, Abuja. Entre as vítimas estão cristãos, muçulmanos e representantes do governo. A seita é acusada de ter assassinado mais de 450 pessoas somente este ano, segundo a agência Associated Press.

Diplomatas e militares afirmam que o Boko Haram está ligado a dois outros grupos terroristas alinhados com a Al-Qaeda na África. Membros da seita também teriam sido localizados no norte do Mali, uma região que rebeldes tuaregues e islâmicos radicais passaram a controlar no mês de março.

Em janeiro, um ataque coordenado do Boko Haram contra edifícios do governo e outros locais em Kano, matou pelo menos 185 pessoas. Desde então, o grupo foi responsabilizado por ataques a delegacias de polícia e por atentados menores na cidade.

Na quinta-feira, o grupo realizou um atentando com carro-bomba contra a redação do importante jornal ThisDay, em Abuja, e lançou uma bomba contra um edifício ocupado pelas redações de vários jornais na cidade de Kaduna. Pelo menos sete pessoas morreram.

O Boko Haram rejeitou tentativas de conversações de paz indiretas com o governo da Nigéria. As igrejas vêm sendo cada vez mais alvos do grupo. Um atentado suicida no dia de Natal, numa igreja de Madalla, deixou 44 mortos. / AP e AFP

 
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