Atentados e choques matam pelo menos 34 no Iraque

A capital iraquiana teve hoje um dia extremamente tumultuado, com dois atentados que causaram a morte de quatro pessoas e ferimentos em 23, além de diversos enfrentamentos entre milícias xiitas e as forças americanas de ocupação. Ao todo, 34 pessoas morreram nos mais recentes episódios de violência. Pelo menos 23 iraquianos morreram nos confrontos de milícias xiitas com as tropas dos EUA em Bagdá e Kufa, no sul do país, e seis num ataque da guerrilha em Bagdá. No pior atentado, no bairro de Biyaa, no oeste de Bagdá, uma bomba explodiu pela manhã quando policiais tentavam desativá-la, num mercado lotado, matando quatro iraquianos e ferindo 17. Quase à mesma hora, rebeldes abriram fogo contra uma patrulha americana, também no oeste de Bagdá, dando início a um tiroteio que causou a morte de três policiais iraquianos, dois civis e um dos atacantes, de acordo com porta-vozes das forças dos Estados Unidos. À noite, outro artefato explodiu no Hotel Four Seasons, localizado no centro da capital e que abriga muitos estrangeiros empregados em obras de reconstrução e atividades de segurança no Iraque. Seis pessoas ficaram feridas: dois nepaleses, dois britânicos e dois iraquianos. Um empregado do hotel disse que os explosivos foram colocados do lado de fora do prédio, na direção do bar, onde as vítimas estavam em mesas. As maiores baixas, porém, ocorreram no bairro pobre xiita de Sadr City, bastião do clérigo radical Muqtada al-Sadr. Pelo menos 18 milicianos xiitas foram mortos em enfrentamentos com as forças americanas, segundo o vice-diretor de Operações militares dos EUA no Iraque, general Mark Kimmitt. Os confrontos entre as tropas dos EUA e as Brigadas Al-Mahdi, dirigidas por Al-Sadr, recrudesceram depois que tanques americanos entraram no sábado no bairro xiita de Sadr City e prenderam um importante assessor do clérigo, Sayed Amer al-Husseini, além de vários milicianos. As brigadas estabeleceram postos de controle no bairro e atacaram delegacias de polícia. Testemunhas disseram que ontem houve tiroteios e ataques com morteiros. Na luta para retomar o controle das delegacias, os militares americanos mataram os 18 milicianos. Houve confrontos ainda em Kufa, vizinha da cidade sagrada xiita de Najaf. Vários tanques americanos entraram na cidade, chegando perto da mesquita principal, e trocaram fogo com as milícias de Al-Sadr. Dois civis foram mortos e dez ficaram feridos, segundo funcionários de um hospital local. "Foi a primeira vez que os americanos chegaram tão perto (dentro de Kufa)", disse o mecânico Odai Abdulkarim, que tem uma oficina perto da mesquita. "Tememos por nossas famílias. Temos medo que os foguetes atinjam nossas casas", disse Abdulkarim. Três casas foram destruídas na incursão militar. Os americanos querem prender Al-Sadr e desalojar as milícias de Najaf, Kufa e Kerbala, onde elas controlam os locais sagrados. Em Amarah, choques que resultaram na demolição de diversas casas deixaram outras quatro pessoas mortas. Segundo moradores, helicópteros britânicos foram os responsáveis pelo ataque. Porta-vozes britânicos negam que seus helicópteros tenham disparado e atribuem a culpa a rebeldes que lançaram morteiros em um confronto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.