Atentados elevam temor de violência sectária e rebelde

Explosões de grande poder de destruição sacudiram Bagdá novamente ontem, intensificando os temores de que o Iraque esteja prestes a sofrer uma nova onda de violência sectária e rebelde. O vazio político que se criou depois das eleições parlamentares de 2005 provocou meses de violência e antecederam a sangrenta guerra sectária de 2006 e 2007, da qual o país começa a sair agora.

Cenário: Timothy Williams e Yasmine Mousa, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

Dezenas de pessoas morreram e mais de 240 ficaram feridas nos ataques de domingo contra edifícios da área das embaixadas em Bagdá. Agora, bombas de fabricação caseira foram colocadas na entrada de edifícios de apartamentos, uma tática não usada antes pelos rebeldes, que nos últimos meses vêm tomando como alvos principalmente membros e instalações das forças de segurança iraquiana e americana.

Integrantes do governo atribuíram a violência à Al-Qaeda da Mesopotâmia, um grupo rebelde sunita que autoridades iraquianas e americanas consideravam praticamente eliminado. Gary Grappo, assessor para assuntos políticos da Embaixada dos EUA em Bagdá, concordou que os ataques têm a marca da Al-Qaeda. "Provavelmente, o movimento se sente frustrado por não ter conseguido impedir as eleições e quer mostrar que ainda está vivo", disse Grappo. "Aparentemente, seus integrantes não podem mais atacar os alvos mais protegidos pela segurança que atacavam no passado, e agora buscam os que são relativamente pouco protegidos."

O partido do primeiro-ministro Nuri al-Maliki obteve 89 cadeiras nas eleições legislativas de março, enquanto a coalizão secular de Iyad Allawi obteve 91. Nas últimas semanas, os grupos discutem com partidos menores para tentar formar uma coalizão maior e conseguir 163 das 325 cadeiras do Parlamento, necessárias para formar um governo. Embora Maliki continue no cargo de premiê, seu movimento político - como grande parte do restante do país - parecia atordoado ontem.

OS AUTORES SÃO ARTICULISTAS DO JORNAL "THE NEW YORK TIMES"

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