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Atentados em Paris aumentam popularidade da bandeira da França

Principais fabricantes do país registram aumento de 500% nas vendas desde o dia dos ataques. Vista antes como um símbolo de ultranacionalismo, hoje a bandeira representa uma homenagem às vítimas dos atentados realizados pelos jihadistas no dia 13

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 08h50

PARIS - Colocar uma bandeira da França na entrada de casa ou no jardim foi considerado durante muitas décadas um ato de mau gosto ou um símbolo de ultranacionalismo. Hoje, após os atentados em Paris no dia 13, a ação é vista de maneira diferente.

Hoje, as famosas faixas azul, branca e vermelha são onipresentes e estão em locais que vão desde varandas e avenidas até lojas e janelas de restaurantes parisienses. As fabricantes temem problemas com a demanda e até mesmo um esgotamento dos materiais.

As principais fabricantes de Paris registraram um aumento de 500% nas vendas de bandeiras desde o dia dos ataques realizados por jihadistas do Estado Islâmico, que mataram 130 pessoas e deixaram mais de 350 feridas.

“Isso normalmente significa que você é ultradireitista. Mas desde os ataques, elas se tornaram um símbolo de solidariedade com as vítimas”, disse Lucas Leblanc, de 23 anos, um dos milhões de usuários do Facebook que sombreou sua foto de perfil com as cores da França.

Uma pesquisa realizada na semana passada mostra que quase dois terços dos franceses agora veem como algo positivo colocar uma bandeira na frente de casa ou no jardim. Até agora, elas eram mais hasteadas em prédios ou mastros oficiais, não em residências privadas.

“É inacreditável. Há apenas outros dois episódios na história da França em que a bandeira chegou a esse nível de popularidade. Uma delas foi quando o país ganhou a Copa do Mundo em 1998. A outra, no final da Segunda Guerra Mundial”, explica Herve Burg, diretor da fabricante Paris Drapeaux. Ele conta que recebeu tantos pedidos que a máquina de tinta da fábrica quebrou.

O presidente francês François Hollande está ajudando nesse processo. Na quarta-feira, ele pediu aos cidadãos do país para colocarem uma bandeira francesa em suas casas para as cerimônias oficiais de sexta-feira em homenagem às vítimas dos atentados.

A bandeira da França apareceu pela primeira vez em 1794, depois que a Revolução Francesa acabou com a monarquia. A faixa branca representava lealdade, a vermelha e a azul, a cidade de Paris ou as pessoas. Mas o significado original da unidade republicana se corroeu no final do século XX.

Jean Dolande, um artista de 50 anos, disse que nunca havia imaginado colocar uma bandeira em seu jardim, mas o fez após os ataques ao jornal satírico Charlie Hebdo e a um supermercado, matando 20 pessoas. “Ela sempre representou o amor do nosso país. Mas acabou sendo reapropriada e recebeu conotações fascistas”, disse Dolande. “Esse ano foi um divisor de águas.”

Mas nem todos estão convencidos de que isso é uma coisa boa. Alguns acreditam que colocar uma bandeira na porta de casa ou no jardim fortalecerá a líder do partido Frente Nacional, Marine Le Pen, e suas políticas de anti-imigração nas eleições de dezembro.

“O ressurgimento da bandeira da França beneficiará uma pessoa: Le Pen. Ela subiu 10% nas pesquisas da semana passada”, disse o arquiteto Jean-Francois Daures. “A bandeira encoraja o racismo e a intolerância, e é um passo para trás, para o passado.” /ASSOCIATED PRESS

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