Atentados em série ampliam crise no Egito

Dois ataques no Sinai matam 9 militares e policiais; no Cairo, granada atinge rede de TV

AP, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2013 | 02h03

CAIRO - Três ataques separados voltaram a expor ontem a instabilidade política no Egito, um dia depois de choques entre a Irmandade Muçulmana e forças de segurança deixarem 53 mortos. Militantes fizeram duas emboscadas na região do Sinai e dispararam uma granada propelida por morteiros na periferia do Cairo, em um bairro que abriga embaixadas.

Em Ismalia, cidade no Canal de Suez, atiradores não identificados mataram pelo menos seis militares, incluindo um tenente. Pouco depois, um carro-bomba destruiu parcialmente uma base policial em Al-Tor, no sul do Sinai, deixando 3 soldados mortos e mais de 50 feridos, segundo fontes locais. Ninguém havia assumido autoria dos ataques até ontem à noite, mas, desde a queda da ditadura de Hosni Mubarak, grupos ultrarradicais islâmicos ampliaram suas atividades na península egípcia em meio à ausência de autoridade.

O ataque com granada no Cairo, aparentemente, foi dirigido contra uma instalação da TV estatal egípcia e, de acordo com informações iniciais, não deixou feridos. No entanto, foi a primeira vez desde o fim do regime Mubarak que um armamento com esse grau de sofisticação foi usado pelos militantes. O local do ataque também chamou atenção: Maadi, um bairro da alta sociedade considerado "seguro", à beira de um afluente do Nilo, por onde circulam autoridades egípcias e internacionais.

A onda de ataques amplia a pressão sobre o governo interino, formado às pressas após a destituição do presidente Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, no início de julho. Os novos ocupantes do poder lançaram uma campanha contra facções islâmicas ainda mais violenta do que as que marcaram o período Mubarak.

Em meados de agosto, mais de mil partidários de Morsi foram assassinados quando as forças de segurança decidiram esvaziar as ocupações de rua no Cairo em favor do presidente deposto. A Irmandade foi banida pela Justiça e, ontem, um novo confronto marcou as celebrações dos 40 anos da "Guerra de Outubro" - ou "do Yom Kippur", segundo a versão israelense. Além dos mais de 50 mortos, 271 ficaram feridos.

As redes estatais de TV transformaram o feriado em um dia de exaltação ao Exército, transmitindo sem intervalos documentários sobre o "triunfo" dos militares egípcios sobre os inimigos israelenses. A Irmandade e outras facções islâmicas, do outro lado, usaram a data para denunciar o apoio silencioso do governo interino a Israel.

Resiliência. Apesar da dura repressão, as manifestações do domingo mostraram que dezenas de milhares de partidários do grupo islâmico estão dispostos a sair às ruas em defesa de Morsi, mesmo que seja sob a ameaça de repressão e com grande parte da cúpula da Irmandade atrás das grades. Morsi está em prisão domiciliar.

Os ataques de ontem, entretanto, mostram que parte dos opositores do governo interino decidiu recorrer às armas. Após a queda de Mubarak, os ataques na região do Sinai se tornaram quase diários. Com a destituição de Morsi, há pouco mais de dois meses, a situação escalou para uma insurgência aberta, dirigida contra postos das forças de segurança. O Sinai é um popular destino turístico, sobretudo a região do balneário de Sharm el-Sheikh.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.