Atentados em série deixam 16 mortos em Bagdá

Bairro xiita da periferia da capital iraquiana foi o principal alvo dos ataques; criança de 1 ano e 6 meses está entre as vítimas de um dos carros-bomba

GUILHERME RUSSO , ENVIADO ESPECIAL / BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2012 | 03h22

Explosões mataram pelo menos 16 pessoas e feriram outras 56 na manhã de ontem em 6 bairros de Bagdá. O ataque mais grave ocorreu no bairro xiita de Shuala, na periferia noroeste de Bagdá, por volta das 9 horas locais (3 horas em Brasília), quando um suicida detonou o carro-bomba que conduzia diante de três restaurantes populares, matando ao menos 13 iraquianos, entre eles 1 criança de 1 ano e meio.

À tarde, quando a reportagem do Estado chegou ao local, em uma esquina da principal avenida da região, o cheiro de queimado ainda persistia no ambiente. Segundo as autoridades, 38 pessoas ficaram feridas em Shula.

"Minha prima estava levando o bebê à casa do avô dele. Um estilhaço matou o menino e ela ficou muito ferida", contou o comerciante Ali Mohammed, de 30 anos, cuja loja de instrumentos e equipamentos musicais, fica a menos de 10 metros do local da explosão e ficou muito danificada pelo impacto. Segundo ele, uma prima dele, que acompanhava a mãe e o filho, também ficou ferida. "Eles não tinham culpa de nada. O governo não está em harmonia, por isso essas coisas acontecem. São os pobres que sofrem."

Mohammed afirmou que essa foi a quarta vez que a mesma esquina de Shuala foi atingida por explosões. Os moradores do local disseram que a última vez foi há cerca de um ano. "Já estamos acostumados com isso", disse.

"Hoje (ontem) vi partes de corpos no chão, uma pessoa que perdeu a perna, uma sem um braço e outra com a barriga aberta", contou Khalid Jmagh, de 52 anos, que vende combustível no local.

Proprietário dos outros dois estabelecimentos atingidos pelo carro-bomba, Khalid Khabut, de 50 anos, estava no local na hora do atentado. Ele conta que quando o carro explodiu, o impacto jogou-o para o alto e ele caiu. O comerciante bateu a cabeça e o vidro que estava no chão cortou suas costas. Ferido, conseguiu socorrer outras vítimas.

O vendedor de combustível Mohammed Hassan, de 16 anos, afirmou que o motorista do carro-bomba diminuiu a velocidade do veículo ao aproximar-se da equina que foi atacada.

Mais ataques. Outras explosões no oeste da capital iraquiana, de artefatos instalados na beira de estradas, mataram pelo menos duas pessoas em Al-Amriyah. Em Yarmuk, na mesma região, um civil morreu com a explosão de um carro-bomba que explodiu próximo à casa de um funcionário do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki. Houve atentados ainda em Doura e Saidiyah, no sul de Bagdá.

Os atentados de ontem foram os piores registrados no Iraque desde 19 abril, quando 36 pessoas morreram em 20 explosões reivindicadas pela Al-Qaeda em várias cidades do país contra alvos xiitas e autoridades locais.

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