Atentados marcam nova fase na violência palestina

Pelo menos dois israelenses ficaram feridos na manhã de hoje por estilhaços de vidro na explosão de um carro-bomba que transformou o coração do setor ocidental (judaico) de Jerusalém no que parecia um cenário de guerra, horas antes do início da missão de paz do novo enviado americano ao Oriente Médio, William Burns. O atentado, que deixou pelo menos 20 pessoas em estado de choque, ocorreu por volta das 9 horas (3 horas em Brasília) na esquina das Ruas Jaffa e Heshin, a apenas um quarteirão do local onde outro carro-bomba explodira horas antes. Apesar de não terem causado mortes, os atentados marcam uma nova fase nas ações de grupos extremistas palestinos, que desta vez fizeram bombas de morteiro voarem sobre o teto de edifícios em pleno centro da cidade e mostraram ter condições de atacar a área sem usar terroristas suicidas. A autoria do primeiro atentado foi reividicada pela Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), de George Habash, com sede na Síria. Já a responsabilidade pelo segundo foi assumida pelo grupo integrista Jihad Islâmica. "Há mais carros-bomba e mártires (suicidas) a caminho", advertiu a Jihad Islâmica num comunicado. Preocupado com a nova escalada do conflito, Burns pediu separadamente ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, e ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, que impeçam novos ataques. "Infelizmente, houve mais violência hoje em Jerusalém", disse Burns após um "construtivo" encontro com Arafat em Ramallah, na Cisjordânia. "Pedi a Arafat que faça tudo que for possível para pará-la." Mais tarde, Burns obteve de Sharon o compromisso de que Israel não lançará ataques de retaliação contra os palestinos por causa dos atentados de hoje. Sharon, porém, advertiu que seu país não pode continuar mantendo sua chamada "política de contenção" indefinidamente. E voltou a insistir que a suspensão da violência é uma condição para a retomada das negociações de paz. Na mesma linha, o prefeito de Jerusalém, Ehud Olmert, afirmou que já chegou o momento de Sharon pôr fim ao "cessar-fogo unilateral" israelense, anunciado terça-feira. "Não podemos permitir que Jerusalém seja posta sob cerco", afirmou Olmert, insistindo: "O problema não é só o número de feridos. É inaceitável que 700 mil pessoas em Jerusalém estejam vivendo sob cerco." Já os palestinos, que consideram a trégua de Sharon uma jogada de marketing, condicionam o acerto de um cessar-fogo efetivo ao fim dos ataques das tropas israelenses e ao congelamento das ampliações de colônias judaicas nos territórios ocupados.

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