Atentados marcam novo dia de terror no Egito

Terroristas suicidas atacaram nesta quarta-feira dois alvos militares próximos à principal base da força de paz multinacional responsável por monitorar a fronteira entre a península do Sinai, no norte do Egito, e a Faixa de Gaza. Paralelamente, no lado palestino da fronteira, cinco pessoas ficaram feridas em uma troca de tiros entre militantes islâmicos e policiais palestinos. Os ataques acontecem dois dias depois que 21 pessoas morreram em decorrência de um triplo atentado na cidade turística de Dahab, no leste do Sinai. Segundo funcionários do governo egípcio, as explosões ocorreram em um intervalo de 35 minutos, próximas à base da Força Multinacional de Observação (FMO), a cerca de 5 quilômetros da passagem para a cidade de Rafa, na Faixa de Gaza. Em declaração expedida a partir de seu quartel general em Roma, a FMO informou que ambos os suicidas morreram, mas que não houve outras casualidades. Segundo o comunicado, a primeira explosão ocorreu às 11h locais e tinha como alvo "um veículo da FMO" que circulava pelo campo das forças de paz em el-Gorah. Dois membros da FMO - um norueguês e um neozelandês - e quatro funcionários egípcios estavam no carro no momento do ataque. Ninguém ficou ferido, além do próprio suicida, que morreu em conseqüência da explosão. O segundo atacante, que se explodiu por volta das 11h35, tinha como alvo um veículo da policia egípcia que circulava pela mesma região. "Nós acreditamos que nenhum policial se feriu", afirma o comunicado. Desmentido Ao comentarem a série de atentados que atingiu a região do Sinai, o ministério do Interior e o governo da província de Sharqiyah aproveitaram para desmentir a informação de que um terceiro ataque teria atingido um posto policial no Delta do Nilo, no norte do país. "Nada aconteceu em toda a província de Sharqiyah", disse o governador Yahya Abdulmageed a uma rede de TV egípcia. Ainda assim, autoridades palestinas confirmaram um ataque contra um posto de controle na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito. Durante a ação, três oficiais palestinos abriram fogo contra um veículo que se aproximou abruptamente do lado palestino da passagem de Karni. Dois militantes não identificados atiraram em resposta. Os três oficiais e dois civis palestinos ficaram feridos. Ainda assim, os dois militantes foram presos. O veículo continha uma grande quantidade de explosivos. Em resposta à violência na região fronteiriça entre Egito e Israel, o governo israelense determinou o fechamento das passagens para o país árabe. Força Multinacional Essa é a segunda série de ataques contra a Força Multinacional de Observação no Sinai em menos de um ano. Em agosto, um bomba rudimentar atingiu um veículo das forças de paz, deixando dois canadenses levemente feridos. Cerca de 1.800 soldados atuam na região com o objetivo de monitorar o acordo de paz Egípcio-Israelense, assinado em 1979, e que levou à retirada das forças israelenses da península do Sinai. Menos mortos Os responsáveis pelas investigações das explosões que atingiram o balneário de Dahab na segunda-feira reduziram o número de mortos na ação de 24 para 21 pessoas. Segundo a polícia, 18 corpos foram reconstituídos e partes de outros três identificadas. Funcionários do ministério do Interior egípcio, falando sob condição de anonimato, informaram que as autoridades querem determinar agora se os três corpos desmembrados pertenciam a possíveis atacantes terroristas. Os funcionários acrescentaram que a teoria de que as bombas foram ativadas remotamente ainda não foi descartada.

Agencia Estado,

26 Abril 2006 | 13h20

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