Atentados matam 115 no Paquistão

No pior dos ataques, 81 pessoas foram mortas em 2 explosões seguidas na cidade de Quetta

ISLAMABAD, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2013 | 02h07

Uma série de atentados a bomba deixou pelos menos 115 mortos ontem no Paquistão, em um dos dias mais violentos dos últimos anos. O pior ataque ocorreu na cidade de Quetta, capital do Baluquistão, onde duas explosões quase simultâneas mataram 81 pessoas em um salão de sinuca frequentado por muçulmanos xiitas, minoria religiosa no Paquistão.

O Baluquistão, maior província paquistanesa, e a vizinha Federação de Áreas Tribais, território semiautônomo, enfrentam o crescimento da violência por grupos de extremistas islâmicos e são tidos como santuários do Taleban e da Al-Qaeda.

A área tem sido alvo de bombardeios dos EUA com aviões não tripulados - cinco suspeitos foram mortos ontem.

Sectarismo. Segundo a polícia, os atentados em Quetta ocorreram com um intervalo de apenas dez minutos. Muitas das vítimas eram pessoas que haviam se deslocado para o local para socorrer os atingidos na primeira explosão. O duplo ataque, que também deixou 160 feridos, matou majoritariamente xiitas. A segunda bomba era tão potente que fez o teto do prédio desabar.

O grupo Lashkar-e-Jhangvi, responsável por outros atentados contra xiitas, assumiu a autoria dos ataques, segundo informou a jornalistas locais o porta-voz da facção, Bakar Saddiq. A primeira bomba foi levada por um suicida. A segunda estava dentro de um carro estacionado na porta do local e foi detonada por controle remoto. A organização de radicais sunitas justifica a ação dizendo que os xiitas não são "muçulmanos verdadeiros".

Ainda ontem, outro atentado, desta vez contra soldados paramilitares leais ao governo, também em Quetta, matou 12 pessoas e deixou mais de 40 feridos. O Exército do Baluquistão Unido assumiu a autoria da ação.

Em Mingora, capital do Vale do Swat, outro atentado, em uma mesquita sunita, deixou 22 mortos e 70 feridos. Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque. A região ganhou atenção internacional após a estudante Malala Youzafzai, de 15 anos, ser baleada pelo Taleban por defender o direito das mulheres de estudar. / AP

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