Atentados matam 46 no Iraque

Explosões, que ocorreram em Bagdá e em vilarejo de Mossul, deixaram 242 feridos e tiveram xiitas como alvos

REUTERS E EFE, O Estadao de S.Paulo

11 de agosto de 2009 | 00h00

Pelo menos 46 pessoas morreram e 242 ficaram feridas ontem em uma série de atentados em Bagdá e no vilarejo de Al-Khazna, perto da cidade de Mossul, no norte do Iraque. Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques, cujos alvos foram civis xiitas. A violência sectária vem aumentando no Iraque desde que as forças americanas se retiraram dos centros urbanos no fim de junho. O crescimento do número de ataques coloca em dúvida a capacidade das forças iraquianas de assumir a responsabilidade pela segurança no Iraque. Entre 2006 e 2007, a violência entre sunitas e xiitas esteve a ponto de levar o país a uma guerra civil. Desde a retirada parcial dos militares americanos, mais de 200 iraquianos morreram em diferentes atentados. Entre as vítimas, 97 morreram em ataques lançados perto de mesquitas xiitas - foram 29 pessoas em Bagdá, em 31 de julho; 38 em Talafar, norte, no dia 9; e outras 30 nos atentados de ontem em Al-Khazna. A explosão de dois caminhões-bomba no vilarejo de maioria xiita deixou pelo menos 160 feridos, segundo a polícia. As detonações foram tão fortes que destruíram 40 casas nas imediações. Em Bagdá, duas bombas explodiram em dois pontos distintos da capital, ambos em bairros xiitas. Um dos atentados matou 9 e feriu 36; o outro deixou 7 mortos e 46 feridos. As explosões de ontem ocorreram um dia depois de o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, ter pedido à população que não caia na tentação do sectarismo e se una no esforço nacional de reconstrução. "Estamos em um momento em que a união de todos os esforços é necessária para a construção do país", afirmou Maliki. "Não vamos permitir o retorno da violência sectária." No início de 2010, o Iraque terá eleições presidenciais. "Há partidos e lideranças políticas que defendem o sectarismo e estão por trás desses ataques", disse o analista político Raed al-Aaburi, sem citar grupos específicos. "Eles querem usar o medo e o agravamento da situação de segurança para que o cidadão iraquiano volte à trincheira do sectarismo", acrescentou. Alguns como Azil al-Nayifi, governador da Província de Ninawa, cuja capital é Mossul, acham que por trás dos ataques na região há grupos curdos, que dominam o norte e são acusados por turcomanos e árabes de usar a força para expandir seu domínio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.