Atentados no Iêmen deixam 67 mortos

Dois suicidas detonaram bombas em uma praça na capital, Sanaa, e num posto militar no sul; autoria de ataques é atribuída a extremistas sunitas

SANAA, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h03

Dois atentados suicidas deixaram ontem no Iêmen pelo menos 67 mortos e mais de 100 feridos, segundo as autoridades. Na capital, Sanaa, partidários de um grupo rebelde xiita que se preparavam para uma manifestação na Praça Tahrir foram surpreendidos por um homem-bomba que detonou os explosivos que levava presos ao corpo matando 47 pessoas.

Os mortos e feridos - entre eles seis crianças em estado grave - foram levados a três hospitais de Sanaa. No local da explosão, voluntários recolhiam pedaços de corpos em meio a poças de sangue.

Pouco depois, outro suicida lançou um veículo carregado de explosivos contra um posto de segurança na cidade de Mukalla, na região sudeste do Iêmen, matando 20 soldados.

Foi o segundo dia de atentados mortíferos lançados por militantes sunitas no Iêmen. Na quarta-feira, pelo menos 29 pessoas morreram durante ataques a repartições do governo e postos de segurança.

Nenhum grupo havia assumido a responsabilidade pelos ataques. Mas eles tiveram características das ações da Al-Qaeda, que há anos realiza atentados suicidas contra forças do Exército, agentes de segurança e instalações do governo do Iêmen.

O grupo extremista sunita Al-Qaeda na Península Arábica havia advertido que atacaria os militantes do grupo xiita Houthi. A ação na capital iemenita pode dar início a um confronto sectário como o que atinge o Iraque e a Síria.

Os membros do Houthi convocaram a manifestação em Sanaa para protestar contra a decisão do presidente Abed Rabbo Mansur Hadi de entregar o cargo de primeiro-ministro a Ahmed Awad bin Mubarak. A crise se intensificou tanto que o premiê pediu ontem ao presidente Hadi que o liberasse do cargo.

Apesar dos atentados suicidas e da saída de Mubarak da chefia do governo, o comício ocorreu e reuniu cerca de 4 mil militantes do Houthi, que pediram a renúncia de Hadi e gritaram palavras de ordem contra os Estados Unidos e a Arábia Saudita.

O líder rebelde Abdel-Malik al-Houthi fez uma declaração, transmitida pela televisão na noite de quarta-feira, convocando seus partidários a se reunir ontem e protestar contra e escolha de Mubarak. Ele disse que seu grupo ficou surpreso com a nomeação, anunciada depois de o presidente iemenita se reunir com o embaixador americano no Iêmen.

Houthi disse que Hadi é uma "marionete" nas mãos de poderes estrangeiros. "A flagrante interferência estrangeira é uma forma de contornar a revolução popular", declarou.

Militantes do grupo Houthi tomaram o controle de Sanaa em setembro, mas um acordo intermediado pelas Nações Unidas conseguiu encerrar os combates nas ruas da capital. A tomada de Sanaa pelos houthi ocorreu após semanas de protestos em Sanaa com o objetivo de pressionar por um maior compartilhamento de poder e uma troca no governo. / AP, AFP e REUTERS

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