Atentados no Iraque matam ao menos 52

Ações coordenadas provocam mais de 30 explosões em 18 cidades do país

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

21 Março 2012 | 03h02

Ataques com mais de 30 bombas deixaram ao menos 52 mortos e 250 feridos em 18 cidades do Iraque ontem, apesar do esforço das autoridades locais para ampliar a segurança diante da aproximação da cúpula da Liga Árabe, prevista para ocorrer em Bagdá na semana que vem. Os atentados demonstram a determinação de grupos insurgentes de provar que o país não é seguro para receber a reunião da entidade.

Pela primeira vez em quase 22 anos, o Iraque deverá receber os representantes árabes, entre os dias 27 e 29 - e o governo do premiê xiita Nuri al-Maliki está ansioso para se mostrar capaz de controlar a segurança.

O braço da Al-Qaeda que atua no Iraque e seus aliados de grupos insurgentes sunitas - militantes que assumiram quase todos os grandes ataques ocorridos neste ano - recusaram-se a depor as armas após a retirada das forças americanas do país, em dezembro. Desde então, os iraquianos têm presenciado uma escalada da violência sectária.

Ontem, o dia mais sangrento em quase um mês, o pior atentado matou 13 pessoas e feriu 48 na cidade sagrada xiita de Kerbala, onde duas explosões atingiram peregrinos na hora do rush da manhã, segundo informou Jamal Mahdi em nome do Departamento de Saúde da região. "A segunda explosão foi a que causou mais destruição. Vi partes de corpos, dedos e mãos espalhados pelo chão", afirmou o comerciante Murtadha Ali Kadhim, de 23 anos. "As forças de segurança são estúpidas, pois sempre se juntam no local de uma explosão e depois uma segunda explosão ocorre. Elas se tornam um alvo fácil."

A maioria dos atentados - cuja autoria não foi reivindicada ontem - teve como alvo policiais em patrulhas e postos de controle. No norte, a cidade petroleira de Kirkuk, no Curdistão iraquiano, um carro-bomba explodiu próximo de um posto policial, matando 13 pessoas - na maioria agentes de segurança - e deixando 59 feridos.

"Dezenas de carros ficaram em chamas. Era uma cena infernal, em que havia apenas um incêndio enorme e pessoas mortas - nada mais", disse Saman Majid, que chegava ao posto policial onde trabalha em Kirkuk quando um dos veículos explodiu.

Ainda no norte iraquiano, bombas também foram detonadas em Baiji, Baquba, Daquq, Dibis, Dhuluiya, Mossul, Samarra, Tuz Khurmato, Khalis e Dujail. No oeste, ocorreram explosões em Faluja e Ramadi. No sul, em Hilla, Latifiya, Mahmudiya e Mussayab.

Na capital, Bagdá, pelo menos dez pessoas morreram, em duas explosões de carros-bomba - um deles detonado diante da sede do Ministério de Relações Exteriores - e em um ataque a uma igreja.

A polícia iraquiana desarmou bombas em Baquba, Faluja e Mossul.

"Esses atos covardes não impedirão o sucesso do governo nacional e da liderança do Ministério das Relações Exteriores na (organização da) cúpula árabe em Bagdá", afirmou o chanceler iraquiano, Hoshyar Zebari, em um comunicado. "Condenamos esse ato terrorista e os terroristas politicamente frustrados que o cometeram."

Ataques recentes. No dia 26, ao menos 27 policiais de Haditha foram mortos por atiradores durante a madrugada, em uma ação atribuída à Al-Qaeda que reproduziu táticas usadas pelo grupo radical durante a ocupação dos EUA. No dia seguinte, um carro-bomba matou 14 na cidade xiita de Tal Afar. No dia 23, ao menos 60 pessoas foram mortas em ataques coordenados. / REUTERS e AP

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