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Atentados no Sri Lanka: o que sabemos sobre os ataques com 310 mortos

Estado Islâmico assumiu autoria dos ataques, que teriam sido uma represália ao atentado na Nova Zelândia

Pedro Prata, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2019 | 19h51
Atualizado 23 de abril de 2019 | 11h58

Uma sequência de oito explosões coordenadas no Sri Lanka deixou ao menos 310 mortos e 500 feridos na noite do domingo de Páscoa, 21. As autoridades afirmam que um grupo islamita seja o responsável pelos ataques. Confira abaixo o que se sabe até o momento sobre os atentados:

Quais locais foram alvos dos ataques?

O maior número de vítimas foi registrado na Igreja de São Sebastião, na região de Negombo, conhecida como “Nova Roma”, no leste do país. Ali, morreram 62. Outros ataques a templos ocorreram na Igreja de Santo Antônio, na capital, Colombo, e na igreja evangélica Zion, na cidade de Batticaloa, 220 quilômetros ao leste da capital.

Houve também detonações em quatro hotéis, dos quais três eram de luxo. Uma última explosão, ocorrida em uma área residencial, está ligada à busca da polícia pelos autores. Três agentes morreram.

Como foram realizados os ataques no Sri Lanka?

O governo do Sri Lanka informou que a maioria dos ataques foi de atentados suicidas. “Com base nisso, estamos fazendo operações e detenções. Também foram realizadas inspeções em seus lugares de treinamento", disse Rajtha Senraratne, porta-voz do governo, em entrevista coletiva.

Nas horas seguintes às explosões, uma bomba de fabricação caseira foi encontrada numa avenida que leva ao aeroporto de Colombo. Ainda, outros detonadores foram encontrados numa estação de ônibus localizada entre os hóteis e as igrejas atacadas.

Qual o número de mortos e feridos?

Até o momento, calcula-se que 310 pessoas morreram e outras 500 ficaram feridas. A quantidade exata de estrangeiros mortos "é difícil de determinar", segundo as autoridades.

Por enquanto, são 37 estrangeiros mortos, dos quais 11 já foram identificados - incluindo indianos, portugueses, turcos, britânicos e americanos. Três dos quatro filhos do bilionário dinamarquês Anders Holch Povlsen, dono do grupo de moda Bestseller e principal acionista do site de venda de roupas ASOS, morreram nos ataques de domingo no Sri Lanka.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmou que 45 crianças estão entre as vítimas fatais dos ataques. Este número pode aumentar, uma vez que muitas ainda permanecem no hospital.

Quem são os responsáveis pelos ataques? Alguém foi preso?

O Estado Islâmico assumiu nesta terça-feira, 23, a autoria dos atentados. "Os autores dos ataques contra os cidadãos do países da coalizão (anti-EI) e os cristãos no Sri Lanka de anteontem são combatentes do EI", afirmou o grupo extremista em uma mensagem divulgada por sua agência de propaganda, Amaq, mas cuja autenticidade não pôde ser verificada. 

Na segunda-feira, o porta-voz do governo do Sri Lanka, Rajitha Senaratne, afirmou que o grupo islamista National Thowheeth Jama'ath (NTJ) foi responsável pelos ataques. Dada a dimensão dos atentados e o fato do grupo cingalês não ser tão grande, o governo investigava a participação de grupos terroristas internacionais em sua coordenação.

Até o momento, 40 pessoas foram presas por conexão com os atentados.

Quais foram as motivações dos atentados?

O Sri Lanka é um país etnicamente dividido. Sua população é composta aproximadamente de 70% de budistas, 12% de hindus, 10% de muçulmanos e 7% de cristãos.

Apesar disso, os atentados ressaltam como a coexistência religiosa está ameaçada na Ásia. No continente, vários governantes têm chegado ao poder enfatizando suas origens étnicas e religiosas.

No caso do Sri Lanka, os nacionalistas cingaleses budistas começaram a avivar temores de que grupos minoritários, particularmente muçulmanos, estariam aumentando sua influência e seu número. O fervor nacionalista provocou confrontos violentos.

Além disso, após o Estado Islâmico reivindicar a autoria dos ataques, a polícia investiga se os ataques seriam uma represália aos atentados em duas mesquitas da Nova Zelândia que deixaram 50 mortos em março.

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