AP Photo/Massoud Hossaini
AP Photo/Massoud Hossaini

Ataques matam 38 no Afeganistão, incluindo dez jornalistas e 11 crianças

Foi o pior ataque contra profissionais de imprensa no país desde 2002, segundo o Comitê para Proteção dos Jornalistas

O Estado de S.Paulo

30 Abril 2018 | 01h57
Atualizado 30 Abril 2018 | 19h56

CABUL -  Dois bombardeios simultâneos mataram 26 pessoas nesta segunda-feira, 30,em Cabul, no Afeganistão, entre elas nove jornalistas, no pior ataque contra profissionais de imprensa no país desde 2002, segundo o Comitê para Proteção dos Jornalistas. Em outros dois ataques, 11 crianças morreram em Kandahar, e um repórter da BBC foi morto em Khost. Com isso, o dia de violência no Afeganistão terminou com 38 mortos.

No ataque em Cabul, suicidas explodiram uma primeira bomba na hora do rush e um segundo artefato 40 minutos depois, com o intuito de atingir jornalistas e equipes de resgate que se dirigiram ao local, segundo autoridades afegãs. Uma facção afegã do Estado Islâmico reconheceu a autoria do ataque, ocorrido oito dias depois de um atentado que matou 57 pessoas que se registravam para votar. 

++ Veja imagens capturadas pelo fotógrafo Shah Marai

Segundo o porta-voz da polícia afegã, Hashmat Stanikzai, o duplo atentado deixou 25 mortos e 49 feridos, mas o número de mortes deve subir. Entre os jornalistas mortos está o fotógrafo da agência France Presse Shah Marai, que há 20 anos cobria os conflitos internos no país. 

O fotógrafo da Reuters Omar Sobhani, um velho amigo e colega de Shah Marai, estava ao lado dele quando a bomba explodiu. “Estávamos parados em uma pequena elevação para ter um melhor campo de visão para a foto quando ouvi um estrondo e o vi no chão. Fiquei chocado, não pude acreditar”, disse Sobhani, que sofreu ferimentos leves.

 

O suicida parece ter tido deliberadamente como alvo os jornalistas, apresentando um cartão de imprensa para a polícia antes de se juntar ao grupo que estava perto do local da explosão, disse o porta-voz do Ministério do Interior Najib Danesh.

Entre os jornalistas mortos, sete eram de veículos afegãos: dois repórteres da TV Mashal, um cinegrafista e um repórter que trabalhavam para a 1TV, dois repórteres da Rádio Azadi e um da Tolo News, segundo o AFJSC.

Em Khost, Ahmad Shah, que trabalhava para o serviço de idioma pashtun da BBC e também para a Reuters, foi morto na periferia da cidade, de acordo com Talib Mangal, porta-voz do governador da província de Khost. A BBC confirmou a morte em um comunicado no Twitter.

Várias horas depois, um suicida em um veículo atacou forças militares estrangeiras na província de Kandahar, no sul do país, matando 11 crianças que estudavam em uma escola religiosa próxima, disse a polícia.

O governo afegão disse por meio de nota que os atentados constituem um ataque ao Islã e um “crime imperdoável”. 

 

Atentado em centro de registro de eleitores em Cabul mata 57 e fere mais de 100; EI assume autoria

Os ataques evidenciam a natureza interminável da violência no Afeganistão, que ao menos desde os anos 80 tem sofrido com uma onda de conflitos armados, invasões e guerras civis. A fase atual do conflito começou com a invasão americana de 2001, que derrubou o regime do Taleban logo após o 11 de setembro. Apesar disso, o grupo nunca foi completamente derrotado e o governo civil instalado desde então não tem conseguido pacificar completamente o país. A ascensão do Estado Islâmico, em 2014, complicou ainda mais o cenário político no país. 

 

Cabul se tornou, de acordo com a ONU, o local mais perigoso do Afeganistão para os civis com um aumento dos atentados, geralmente cometidos por homens-bomba e reivindicados pelo Taleban e o EI.

Os atentados contra civis provocaram o dobro de vítimas nos primeiros três meses de 2018 – 763 civis mortos, 1.495 feridos – na comparação com o mesmo período de 2017. / AFP, NYT e REUTERS​

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