Atentados suicidas em Jerusalém matam 12 e ferem 170

Dois atacantes suicidas detonaram explosivos numa rua do centro de Jerusalém repleta de jovens que se divertiam na noite deste sábado. As explosões mataram os atacantes e dez pessoas e feriram outras 170.Minutos depois dos atentados suicidas, que ocorreram simultaneamente, outra bomba explodiu num carro estacionado nas proximidades, provocando ainda mais pânico entre a multidão.O ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres, afirmou que se tratou "de um dos piores (ataques) que já vimos".Ninguém assumiu imediatamente responsabilidade pelo atentado, mas os grupos militantes Hamas e a Jihad Islâmica haviam ameaçado promover ataques em Israel para vingar o assassinato do líder militar do Hamas na Cisjordânia num ataques de mísseis israelense na semana passada.Num comunicado, a Autoridade Palestina condenou os atentados terroristas, expressando sua "profunda irritação... e dor" e acusando os responsáveis de estarem tentando sabotar uma iniciativa de paz dos Estados Unidos.As bombas explodiram por volta das 23h30 deste sábado, uma hora em que o calçadão Ben Yehuda está normalmente repleto de jovens caminhando e sentados em mesas de café na rua. Os atacantes suicidas se encontravam a cerca de 30 metros de distância um do outro, segundo a polícia."Havia muitos membros e corpos espalhados", relatou Michael Perry, 37 anos, que saiu correndo de um bar no calçadão de pedestres Ben Yehuda depois de ouvir as explosões. "Vi três mortos e o que parecia ser os restos de um atacante suicida", disse Perry.Outro transeunte, Eli Shetreet, 19 anos, afirmou ter visto corpos sendo jogados para o ar. "Muita gente estava chorando, caindo, e havia cheiro de cabelo queimado", disse.As explosões foram tão poderosas que destroçaram os vidros de carros estacionados a um quarteirão de distância.Pouco depois dos atentados suicidas, uma explosão ocorreu num carro estacionado perto do calçadão, afirmou o chefe da polícia Mickey Levy. Aparentemente ninguém ficou ferido nesta última explosão. Ao ouvirem a terceira explosão, pedestres correram pelas ruas em pânico.O porta-voz da polícia Gil Kleiman afirmou que oito pessoas morreram, além dos atacantes, e 150 ficaram feridas, muitas delas adolescentes. Vários dos feridos estavam em condições críticas."É uma grande catástrofe. Houve muitas, muitas vítimas", disse o ministro da Saúde, Nissim Dahan, que estava percorrendo hospitais. "Estamos quase no limite de nossa capacidade para atender os feridos."O calçadão Ben Yehuda está normalmente repleto de jovens israelenses nas noites de sábado. O local já havia sido palco de atentados suicidas no passado, incluindo um em 1997.A cerca de um quarteirão do calçadão, na esquina das ruas Rei George e Jaffa, um atacante suicida promoveu um atentado há poucos meses numa pizzaria lotada, se matando e a outras 15 pessoas.Autoridades israelenses que viajam com o primeiro-ministro Ariel Sharon a Nova York não se manifestaram imediatamente sobre os atentados e não confirmavam se seria mantido um encontro com o presidente George W. Bush, na segunda-feira em Washington.Peres afirmou que Sharon não havia ainda decidido se iria suspender sua visita.Autoridades que acompanham Sharon disseram que o encontro com Bush poderia ser antecipado para este domingo, com o primeiro-ministro partindo, então, imediatamente para Israel.Abdel Aziz Rantisi, um líder do Hamas na Faixa de Gaza, não assumiu a responsabilidade em nome de seu grupo, mas afirmou que o Hamas irá continuar promovendo ataques."Já dissemos várias vezes que não aceitaremos que nosso território continue sendo ocupado", afirmou Rantisi. "Estamos combatendo o terrorismo judeu, estamos combatendo os assassinos e defendendo nossa liberdade, nossa estabilidade e nossa dignidade."Os atentados deste sábado ocorrem num momento em que um alto enviado dos EUA, general Anthony Zinni, tenta garantir uma trégua. Entretanto, desde a chegada de Zinni, na semana passada, tem havido uma escalada da violência. Zinni tem dito que a violência não o deterá e que ficará na região o tempo necessário para garantir um cessar-fogo.Mais cedo neste sábado, dois palestinos, de 11 e 19 anos, haviam sido mortos nas proximidades da cidade de Jenin, Cisjordânia, por disparos de metralhadoras israelenses, segundo médicos. O Exército de Israel não comentou imediatamente a acusação.

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