AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET
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Atentados terroristas mataram 32 mil pessoas em 2014

Segundo estudo divulgado nesta terça-feira, muçulmanos são as principais vítimas

Jamil Chade, enviado especial / Paris, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2015 | 12h06

PARIS - A guerra contra o terrorismo, lançada há mais de uma década, fracassou e nunca o número de atentados foi tão elevado como hoje. Os dados foram apresentados nesta terça-feria, 17, pelo Índice Global de Terrorismo, uma iniciativa do Instituto para Economia e Paz formado por especialistas americanos e australianos. Apenas em 2014, 32,6 mil pessoas morreram em atentados terroristas pelo mundo: a grande maioria das vítimas era da religião muçulmana e não cristã.

Em comparação a 2013, o grupo indica que a alta no número de mortos foi de 80%. Em onze países, mais de 500 pessoas morreram apenas no ano passado. Segundo o levantamento, 51% dos atentados foram atribuídos ao Estado Islâmico e ao Boko Haram. 

O custo gerado pelo terrorismo também bate todos os recursos, consumindo da economia mundial mais de US$ 52 bilhões.

O fenômeno está concentrado em cinco países: Afeganistão, Iraque, Nigéria, Paquistão e na Síria. Juntos, eles representam 78% dos mortos. Nas cidades iraquianas, 10 mil pessoas morreram em 2014, contra 7,5 mil na Nigéria. O país africano, porém, é onde se registra a maior progressão, com uma alta de 300% em apenas um ano. 

De acordo com Steve Killelea, autor do estudo, o risco de um atentado é "muito menor" no Ocidente. Mas ele admite que as mortes da semana passada podem "mudar a lógica". "Está claro agora que o EI tem a capacidade de lançar ataques sofisticados na Europa", disse. 

Segundo os analistas, o EI estaria conseguindo se transformar cada vez em uma "estrutura de Estado", incluindo um sistema tributário que coleta US$ 11 milhões por mês e vendas de petróleo com uma renda anual de mais de US$ 500 milhões.

Síria. Outro fenômeno destacado pelo informe é a quantidade de estrangeiros que foram lutar na Síria desde 2011. As estimativas apontam para cerca de 30 mil, vindos de mais de cem países diferentes. 25% deles viriam da Europa. 

Em apenas seis meses em 2015, mais 7 mil combatentes estrangeiros chegaram à Síria. Na ONU, informes produzidos pelo presidente da Comissão de Inquérito para os Crimes na Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, já alertavam desde 2012 para o fluxo de combatentes estrangeiros para Damasco. 

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