Ernesto Guzman Jr/EFE
Ernesto Guzman Jr/EFE

Atentado atribuído a dissidentes das Farc mata 3 policiais na Colômbia

Segundo secretário do governo, ataque ocorreu na noite de sexta-feira e não apresenta relação com os protestos que tiveram início esta semana contra o governo Duque

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2019 | 15h30

CALI, COLÔMBIA - Três policiais morreram e outros sete ficaram feridos na sexta-feira em um atentado com botijões de gás carregados com explosivos contra um posto da polícia em Santander de Quilichao, em uma conflitiva zona do sudoeste da Colômbia, informou o secretário municipal Jaime Asprilla. Autoridades atribuiram  a ação a dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que atuam na região. 

"Condenamos o covarde atentado terrorista em Santander de Quilichao que deixou 3 policiais mortos", publicou o presidente Iván Duque em sua conta no Twitter. Entre os sete feridos há três civis que viviam em residências próximas da estação de polícia. Dos dos policiais feridos estão em estado grave, segundo o secretário de governo, Jaime Asprilla. 

O ataque ocorreu por volta das 21h (hora local) e não apresenta relação com os protestos que tiveram início esta semana contra o governo Duque, segundo o secretário. "É um atentado de grupos organizados que administram recursos e estão ligados às drogas" no Departamento de Cauca, do qual Santander de Quilichao faz parte, acrescentou. 

Em um comunicado, a polícia atribuiu o ataque a dissidentes das Farc, que deixaram o acordo de paz de 2016 que desarmou a maior parte do que foi a guerrilha mais poderosa da América Latina e agora operam sem um comando unificado. 

No fim de outubro e início de novembro foram registrados duas chacinas e outros assassinatos que deixaram um saldo de 16 mortos, a maioria indígenas, segundo a Defensoria Pública. Segundo a secretaria ligada à Colômbia da Alta Comissária da ONU, foram documentadas ao menos 52 mortes em território pertencente aos indígenas nasa, no norte da região. 

Dissidentes da antiga guerrilha das Farc, rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) e grupos do narcotráfico de origem paramilitar lutam pelo controle territorial de Cauca, que tem milhares de hectares de 'narcocultivos' e uma saída estratégica para o Pacífico em direção aos Estados Unidos.

Essa região, com forte presença indígena e negra, foi o epicentro recente de assassinatos seletivos contra líderes sociais, guardas indígenas e ativistas.

O governo Duque relaciona a violência em Cauca ao narcotráfico e ao "crescimento exponencial" dos 'narcocultivos' nos últimos anos, para atingir 169 mil hectares em 2018, segundo a ONU.

Após três décadas de combate às drogas, a Colômbia permanece como o principal produtor de cocaína do planeta, tendo os Estados Unidos como seu maior consumidor./AFP 

 

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