Atirador aparentemente teria problemas com mãe e escola

Especialistas citam 'anormalidade' e evitam falar em doença mental; morte de crianças complica interpretação

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h04

Especialistas em psiquiatria forense e criminologia afirmam que, para praticar homicídios em massa, os criminosos que realizam essas ações apresentam algum nível de "anormalidade", mas evitam falar em doenças mentais específicas que os provocariam. O fato de a mãe do matador e os alunos dela estarem entre as vítimas do massacre de ontem sugere que o assassino poderia ter problemas não apenas com sua família.

"A motivação do ser humano é infinita. Se a questão dele fosse só com a mãe, não precisaria envolver a escola - e vice-versa. Ele pode ter sofrido abusos da mãe na idade que tinham as crianças (mortas) ou considerar que (os alunos) tinham roubado ela dele, por exemplo", afirmou a criminologista Ilana Casoy.

A especialista explicou que, "em geral, essas pessoas têm mais ambições do que julgam que conseguir e, quando se frustram, culpam os outros". Ilana disse que analisar o modus operandi e as motivações dos assassinos é o mais importante para entender os homicídios em massa.

Entre as principais categorias de assassinatos múltiplos que a criminologista citou, está a do "aniquilador de famílias, que mata os próprios parentes e, geralmente, se suicida". O caso de ontem, porém, não se enquadra nessa explicação porque, segundo a especialista, esses assassinos costumam atacar seus parentes em ambientes familiares, como suas residências, mas dificilmente praticariam essas ações no local de trabalho de seus alvos.

"Alguns (homicidas em massa) têm um senso de amor distorcido, querem salvar as vidas de suas vítimas, para que elas não passem por situações similares às que eles enfrentaram."

O fato de outra pessoa assassinada ter sido encontrada na casa do criminoso - que, de acordo com hipóteses levantadas pela imprensa americana, poderia ser alguém com quem ele vivia -, segundo Ilana, amplia ainda mais o leque das possíveis explicações para o caso. "As possibilidades são sem limites."

Americanos. "A única certeza que podemos ter é que não se trata de uma pessoa normal. Não há a possibilidade de uma mente lúcida praticar um ato como esse", afirmou o psiquiatra forense Guido Palomba. "Mas por que crimes como desse tipo acontecem mais nos EUA do que, por exemplo, no Brasil? Porque esses massacres fazem parte do imaginário dos americanos", explicou o especialista, citando como justificativa outros homicídios múltiplos ocorridos no país nos últimos anos.

Segundo Palomba, contudo, "um jovem tem de apresentar alguma anormalidade, ter sua personalidade deformada e ter potência para agir desse jeito".

Outros fatores que, de acordo com o psiquiatra forense, contribuem para esses crimes é a garantia constitucional para os americanos carregarem armas de fogo e a constante presença do país em confrontos armados. "Eles são um povo guerreiro e estão armados até os dentes."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.