Reprodução / Youtube
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Atirador da Flórida tinha carreira em ascensão como jogador profissional de videogame

Testemunha diz que jovem de 24 anos foi eliminado de competição classificatória antes de realizar o ataque

Kyle Swenson e Antonia Noori Farzan, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 20h11

JACKSONVILLE, EUA - Em fevereiro de 2017, David Katz obteve uma vitória emocionante em um torneio de Madden NFL, um game de futebol americano. Mas sua carreira promissora tomou um outro rumo no domingo, na Flórida. Katz, de 24 anos, matou duas pessoas a tiros em um campeonato de videogame

No domingo, a polícia invadiu uma casa em Baltimore, onde vizinhos disseram ter visto o jogador anteriormente. Ninguém sabe ainda o motivo dos tiros. Uma testemunha, no entanto, disse ao Florida Times-Union que ele abriu fogo depois de ser eliminado da competição.

O ataque a tiros foi um golpe para a comunidade de Madden, justo quando a popularidade do jogo aumentava. “Este é um jogo competitivo”, disse Matthew Lee, jogador que estava escalado para participar do evento no domingo, mas acabou não fazendo a viagem. 

Antes considerado um hobby para preguiçosos, os e-sports se tornaram uma atividade altamente competitiva e lucrativa para jogadores nos últimos anos. Os melhores competem por dinheiro e patrocínio, e alguns campeonatos oferecem prêmios que alcançam milhões. Os competidores passam horas aperfeiçoando a coordenação de mãos e olhos e trabalham para conseguir manter o foco sob pressão.

De acordo com a empresa de pesquisas Newzoo, a audiência mundial de e-sports deve atingir 380 milhões de pessoas este ano, e os patrocínios podem chegar a US$ 162 milhões.

O potencial financeiro rivaliza com os de alguns esportes tradicionais. A equipe de cinco pessoas que venceu o prêmio “The International 2018”, competição de batalha online no jogo Dota 2, levou mais de US$11 milhões. Prêmios adicionais para campeões menores colocaram o total de prêmios em mais de US$ 25 milhões.

Mas os e-sports também têm uma maneira única de pressão. “Não há outro esporte no mundo em que num dia você é um adolescente jogando sozinho e, no dia seguinte, você está em um palco jogando para milhões de pessoas te criticarem”, disse o repórter da ESPN Tyler Erzberger. “Há pouco ou nenhum período de assimilação. Só existe você, no palco com cinco colegas, diante do maior momento da sua vida.”

Meio de vida

A competição de domingo foi uma classificatória regional para uma rodada final em outubro do Madden NFL 19, que oferece US$ 25 mil para o vencedor. No ano passado, 3 milhões de jogadores participaram do evento.

“As pessoas não percebem que o Madden é um game em crescimento”, disse o jogador Matthew Lee. “Existem caras que vão ganhar mais de US$ 100 mil por ano jogando isso. Com transmissões, parcerias e com o dinheiro dos torneios, está se tornando uma maneira de ganhar a vida.”

No entanto, o circuito permanece restrito a um grupo de competidores. Todo mundo conhece todo mundo. Ao contrário de outros e-sports, como o Call of Duty, em que os jogadores competem em times, no Madden o jogador compete sozinho. “É uma partida de xadrez mental”, disse Lee.

Pouco se sabe sobre a vida de Katz fora da arena dos videogames. Seus vizinhos em Baltimore nunca observaram nada que pudesse apontar para o crime na Flórida. “Não há nada de suspeito sobre ele”, disse a vizinha, Cameron Stearns. / W. POST

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