Atirador da Noruega é sentenciado a 21 anos

Ao conhecer pena, Breivik pede desculpas a 'ativistas nacionalistas' por 'poucas mortes'

OSLO, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h06

O Tribunal de Oslo condenou ontem o ultradireitista Anders Behring Breivik à pena máxima de 21 anos de prisão, prorrogáveis indefinidamente, pelo massacre que resultou na morte de 77 pessoas no ano passado. A sentença é a mais severa permitida pela legislação do país e na prática corresponde a uma prisão perpétua, já que pode ser estendida enquanto o réu for considerado perigoso para a sociedade.

Breivik, que anteriormente disse que só recorreria da sentença se fosse declarado doente mental e condenado a tratamento psiquiátrico forçado, ouviu a leitura do veredicto com um sorriso no rosto. Breivik continuará a cumprir sua pena em um centro de segurança máxima em Ila, a oeste de Oslo, onde permanece em prisão preventiva há um ano numa sala de três ambientes com espaço para exercícios físicos, televisão e um computador sem conexão de internet.

Em suas declarações finais, Breivik lamentou não ter matado mais pessoas, pedindo desculpas aos "militantes nacionalistas" pelo massacre não ter sido maior.

A decisão representa um triunfo para as teses da defesa e da segunda equipe de psiquiatras que examinou Breivik, cuja conclusão foi a de que ele não sofre de nenhuma alteração mental grave e não se encontrava em estado psicótico ao cometer os atentados, condição que o declararia penalmente não responsável. O primeiro relatório apontou que Breivik seria esquizofrênico e estaria em crise durante os ataques, razão pela qual deveria ser condenado a um tratamento psiquiátrico.

A juíza Wenche Arntzen ressaltou que as ideias extremistas de Breivik são compartilhadas por outras pessoas, mas duvidou da existência de rede europeia anti-islâmica da qual o réu diz fazer parte. "O tribunal não encontrou fundamento para a existência dos Cavaleiros Templários." Breivik diz que a organização foi fundada em Londres em 2002.

Tore Sinding Bekkedal, sobrevivente do ataque em Utoya, disse estar aliviado com a condenação. "Seria difícil aceitar o conceito de insanidade com o nível de detalhamento do plano executado por Breivik", afirmou. "Acredito que ele seja politicamente louco e não que tenha alguma doença psiquiátrica. Ele é patético", disse o sobrevivente.

"Hoje ouvimos que ele estava são, mas o que importa é que devemos levar mais a sério o extremismo", afirmou Bjorn Magnus Jacobsen, outro sobrevivente do massacre na ilha.

Entre militantes da extrema direita europeia, as reações foram diferentes. "O que Breivik fez foi obviamente errado, mas ele tinha alguma lógica", afirmou Stephen Lennon, líder de uma organização britânica anti-Islã. / EFE, AP e NYT

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