EFE/ Martin Hunter
EFE/ Martin Hunter

Atirador da Nova Zelândia é acusado formalmente de terrorismo

Brenton Tarrant, australiano de 28 anos que publicou manifesto nas redes sociais no qual se descrevia como um supremacista branco, já enfrentava 51 acusações por assassinatos e 40 por tentativa de assassinato

Reuters, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 03h08
Atualizado 21 de maio de 2019 | 09h54

WELLINGTON - O homem acusado por matar 51 muçulmanos em atentados contra duas mesquitas na cidade neozelandesa de Christchurch foi formalmente acusado de terrorismo nesta terça-feira, 21, anunciou a polícia. "Apresentamos a acusação de participação em um atentado terrorista contra Brenton Tarrant", afirmou a polícia da Nova Zelândia

O indiciamento será adicionado às 51 acusações de assassinato e 40 de tentativa de assassinato pelo massacre de 15 de março. "A acusação alegará que cometeu um ato terrorista em Christchurch", afirma a polícia em um comunicado. 

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, descreveu os fatos como um "atentado terrorista" planejado de maneira consciente no dia em que Tarrant, um supremacista branco, cometeu o massacre. 

Mas até agora as acusações apresentadas contra o atirador não haviam chegado a tal ponto, porque a Lei de Repressão do Terrorismo da Nova Zelândia foi aprovada em 2002 e ainda não foi testada nos tribunais.  A polícia afirmou que a decisão de apresentar a acusação de terrorismo foi adotada após uma consulta a promotores e assessores jurídicos do governo. 

Tarrant, um australiano de 28 anos, está em uma penitenciária de segurança máxima, onde é submetido a exames que devem decidir se é mentalmente apto para ser julgado. A próxima audiência no tribunal está marcada para 14 de junho. 

O comissário da polícia, Mike Bush, se reuniu com cerca de 200 sobreviventes e parentes das vítimas do ataque para informá-los sobre as novas acusações e as novidades nas investigações em relação ao processo judicial de Tarrant.

Antes do ataque, Tarrant publicou um manifesto nas redes sociais no qual se descrevia como um supremacista branco que pretendia vingar os atentados cometidos por muçulmanos na Europa. 

O ataque do australiano pegou as autoridades de surpresa, já que ele não tinha registro criminal e obteve uma licença de arma em novembro de 2017, depois de cumprir as exigências legais.

Ele transmitiu os ataques ao vivo nas redes sociais: primeiro entrou na mesquita de Al-Noor durante a oração de sexta-feira e depois continuou com o massacre na mesquita de Linwood. 

Desde o ataque às mesquitas de Christchurch, o governo da Nova Zelândia adotou várias medidas, como a reforma da posse de armas semiautomáticas, e promoveu regulamentações nas redes sociais para evitar a disseminação de mensagens de ódio, assim como criou uma Comissão Real para investigar os fatos. / AFP, EFE e REUTERS

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