Atirador de universidade nos EUA era sul-coreano de 23 anos

O Departamento de Polícia da universidade Virginia Tech confirmou nesta terça-feira, 17, a identidade do responsável pelo tiroteio que deixou 32 mortos na manhã da segunda-feira, 16, no mais violento ataque a uma instituição de ensino na história dos EUA. O jovem, que se suicidou após o massacre, é o sul-coreano Cho Seung-Hui, de 23 anos.Vivendo nos Estados Unidos desde criança, Cho foi descrito por colegas e funcionários da universidade como um rapaz "muito solitário". Ele estava no quarto ano de graduação do curso de inglês da universidade, e morava no campus. Segundo informações da polícia, duas pistolas - uma 9mm e outra .22 - foram encontradas no edifício Norris Hall da Faculdade de Engenharia, onde estavam a grande maioria das vítimas (30 pessoas). O corpo de Cho jazia entre os cadáveres em uma sala de aula no local, e impressões digitais suas foram encontradas em pelo menos uma das armas.Uma das pistolas também foi usada no assassinato de duas pessoas em um dos dormitórios da universidade, de acordo com testes balísticos. As apurações iniciais indicam que Cho teria iniciado a matança por volta das 7h15 (horário local) de segunda-feira, no dormitório, dirigindo-se cerca de duas horas depois para a Faculdade de Engenharia. Segundo a polícia da Virgínia, entretanto, ainda não foi possível comprovar se as mortes do dormitório tiveram a autoria do sul-coreano - embora a hipótese seja a mais provável. "Neste momento, as evidências não são conclusivas para identificar Cho Seung-Hui como o atirador dos dois edifícios", disse superintendente da polícia estadual, coronel W. Steven Flaherty. "Com esta nova descoberta balística, seremos capazes agora de dar prosseguimento a esta complexa investigação."SuspeitasEmbora a polícia ainda não tenha apontado o que motivou o massacre, testemunhas e estudantes da universidade acreditam que Cho tenha sido movido por razões passionais. Segundo o professor brasileiro José Carlos Setúbal, que leciona na Virginia Tech e estava no local no momento em que os ataques aconteceram, o que se comenta no campus é que o atirador procurava eliminar sua ex-namorada e o atual parceiro dela. Setúbal deu a informação em entrevista à Rede Record.Uma das duas vítimas mortas no dormitório inicialmente atacado era a estudante Emily Hilscher, de 19 anos. Junto com ela, foi encontrado o corpo do monitor do dormitório e estudante Ryan C. Clark. De acordo com a polícia, no entanto, Hilscher não possuía qualquer ligação conhecida com o atirador. Segundo uma fonte ouvida pelo Washington Post, "até onde sabemos, (ela estava) no lugar errado na hora errada".Ainda assim, uma amiga da estudante que foi encontrada fora do campus após o incidente está sendo interrogada. De acordo com o Post, as autoridades descreveram a testemunha como uma "pessoa de interesse" para as investigações.A apuração do crime está sendo conduzida por agências locais, estaduais e federais. Segundo a reitoria da universidade, os nomes das outras vítimas serão divulgados assim que elas forem identificadas e as famílias informadas. CríticasOs mortos foram recolhidos em ao menos quatro salas de aula do segundo andar do edifício Norris Hall. Em relato à CNN, um médico que atendeu alguns dos feridos no hospital de Blacksburg - cidade em que a Virginia Tech está localizada - descreveu os ferimentos vistos por ele como "impressionantes" e o atirador como "brutal"."Não havia uma única vítima com menos de três ferimentos a bala", disse ele.A reitoria encontra-se agora sob fortes críticas, pois só determinou o isolamento do campus quando recebeu notícias do segundo tiroteio, quase duas horas depois de o primeiro crime ter sido relatado à polícia. Muitos estudantes disseram terem ido para a aula sem saber da ocorrência dos assassinatos."Na manhã de ontem (segunda-feira), o reitor e sua equipe tomaram as decisões certas baseadas nas informações que estavam disponíveis naquele momento", defendeu-se o responsável pela segurança na Virginia Tech, John Marshall.Em entrevista à CNN, o reitor também justificou sua decisão de não fechar a universidade. Segundo ele, a polícia do campus reagiu ao primeiro tiroteio a partir da avaliação de que se tratava de um incidente isolado.Texto ampliado às 13h53 horas

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