Atirador do Canadá jogava "Super Columbine Massacre"

O atirador que invadiu uma escola no Canadá na quarta-feira, deixando um saldo de um morto e 19 feridos, possuia um blog em que publicava fotos suas com armas e no qual dizia que gostava de jogar "Super Columbine Massacre". O jogo é inspirado no incidente em uma escola americana em que treze estudantes foram mortos a tiros por dois garotos. Investigadores tentam determinar nesta quinta-feira os motivos que levaram o jovem de casaco longo e cabelo moicano a abrir fogo dentro escola.Seis vítimas continuam em estado grave, duas em estado crítico. O agressor é Kimveer Gill, de 25 anos, morador da cidade de Laval, próxima a Montreal. A informação foi confirmada por uma fonte policial, que falou em condição de anonimato pois a polícia ainda não irá realizar um anúncio público. Segundo a fonte, a polícia revistou a casa do jovem.Em suas publicações em um site chamado vampirefreaks.com, blogs no nome de Gill mostram mais de 50 fotos em que o jovem aparece segurando um rifle e vestido com um longo casaco negro e coturno.Uma foto tem a inscrição do seu nome e abaixo a frase "Viveu rápido e morreu jovem. Deixou um cadáver desfigurado." As últimas publicações realizadas por ele no blog foram realizadas na quarta-feira às 10h41, aproximadamente duas horas antes de Gill ser morto pela polícia após o tiroteio no colégio. Ele diz no site que gostava de jogar "Super Columbine Massacre", game da internet que simula os tiroteios ocorridos em abril de 1999 em uma escola do Colorado. No incidente, dois estudantes vestidos com casacos militares mataram 13 pessoas ante de cometerem suicídio."Seu nome é Trench. Você o conhecerá como o Anjo da Morte, escreveu em seu perfil no vampirefreaks.com. Ele não é uma pessoa do povo."Ele escreveu ainda que odeia esportes, estudar, música country e hip hop. "Acho que tenho uma obsessão com armas...muahahaha", diz uma inscrição abaixo de outra foto de Gill apontando o cano de sua arma para a câmera.O atirador diz ter um metro e oitenta e cinco, nascido em Montreal e de descendência indígena. Sua fraqueza é a preguiça e não tem medo de nada. Respondendo à questão "como você quer morrer?", Gill respondeu "como Romeu e Julieta - ou em uma troca de tiros".Lições aprendidas O chefe da polícia de Montreal, Yvan Delorme, disse que as lições aprendidas com outros tiroteios em massa ensinaram a coorporação a sanar os ataques o mais rápido possível. "Antes a nossa técnica era estabelecer um perímetro ao redor do local e esperar pela equipe da Swat. Agora, os primeiros policias vão para dentro. A forma com que agiram salvou vidas", disse o policial.Testemunhas disseram que o atirador iniciou seus disparos fora do colégio, no centro da cidade. em seguida ele entrou, foi até a cantina do segundo andar e abriu fogo sem dizer uma palavra. Em agumas momentos Gill se escondia atrás de máquinas de refrigerante, antes de voltar a atirar - inclusive na direção de uma jovem que tentou fotografá-lo com o celular. O homem abriu fogo a esmo, sem alvo em especial, até ver a polícia. A partir daí, começou a atirar na direção dos policiais, afirmou Delorme. A polícia se escondeu atrás de uma parede enquanto trocava tiros com o atirador, que ficou atrás de uma máquina de refrigerante, segundo a estudante Andrea Barone, que estava na cantina. Ela afirmou que os policiais agiram com cautela, pois muitos estudantes estavam próximos ao atirador, que gritava "vá para trás, vá para trás", toda vez que um policial tentava se aproximar. Barone afirmou que o atirador foi atingido e caiu durante a troca de tiros. Segundo Delorme, alguns policias estavam no colégio, por outros motivos, quando o tiroteio começou. O chefe da polícia afirmou que equipes de reforço chegaram rapidamente ao local e se envolveram no tiroteio. Muitos estudantes fugiram do edifício após o início dos tiros. Alguns tinham roupas manchadas de sangue, outros choravam e se abraçavam. Dois shopping centers próximos ao local também foram evacuados. "Foi horripilante. O cara começou a atirar contra as pessoas aleatoriamente. Ele não se importava, estava atirando em todo mundo", disse o estudante Devansh Smri Vastava. "Havia policiais atirando. Foi tão louco." A polícia disse que o agressor tinha um rifle e outras duas armas, sem providenciar mais detalhes.Apesar de a polícia ter sugerido inicialmente que o atirador havia se matado, Delorme afirmou depois, em coletiva de imprensa, que "baseado nas informações atuais, o suspeito foi morto pela polícia." Tarek Ruzek, médico do hospital geral da Montreal, disse nesta quinta-feira que duas das onze pessoas que deram entrada no centro médico estavam em "condições extremamente críticas". Um tem ferimentos na cabeça e o outro ferimentos abdominais. As onze vítimas - seis homens e cinco mulheres - têm entre 17 e 48 anos. Seis estão em estado grave.Outras nove vítimas com ferimentos mais leves foram levados para outros dois hospitais. Um jovem morreu na faculdade, disse um policial, em condição de anonimato, pois os parentes da jovem ainda não haviam sido notificados. "Hoje testemunhamos um ato de violência covarde e insensato no Colégio Dawson de Montreal", afirmou o premiê canadense Stephen Harper na noite de quarta-feira. "Nossa primeira preocupação agora é garantir a segurança e a recuperação de todos aqueles que se feriram durante esta tragédia". O pior tiroteio em massa do Canadá também ocorreu em Montreal, em 1989. No incidente, o atirador Marc Lepine matou 14 mulheres na Escola Politécnica da cidade, e depois suicidou-se.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.