Atirador dos EUA era neonazista e ex-militar

FBI investiga se supremacista racial Wade Michael Page, morto pela polícia, teve ajuda

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h04

O responsável pela morte de sete pessoas no templo sikh de Oak Creek, em Wisconsin, é Wade Michael Page, de 40 anos, ex-militar e ativista neonazista. O FBI investiga a possibilidade de Page ter recebido ajuda de um cúmplice. Um homem branco, com um desenho do 11 de Setembro tatuado no braço, fora fotografado por jornalistas nos arredores do templo depois do crime.

Segundo o procurador de Justiça James Santelle, Page nasceu no Colorado e serviu entre 1992 e 1998 em várias bases do Exército dentro do país. Ele jamais serviu no exterior e atuou como técnico de manutenção do sistema de mísseis Hawk.

Depois, passou a uma divisão de operações psicológicas, antes de sua dispensa por "conduta imprópria" - afastamento que o impediu de retornar às Forças Armadas. O motivo da expulsão seria embriaguez em serviço.

O atirador obteve permissão para portar de arma de fogo em 2008. No dia 28, comprou em uma cidade vizinha de Oak Creek a pistola 9mm que usaria no atentado. Page vivia com uma namorada no andar superior de uma casa em Cudahy, a nove quilômetros do templo sikh, havia cerca de cinco meses.

A Southern Poverty Law Center, organização que estuda grupos racistas nos EUA, identificou Page como "neonazista" e líder de um grupo em favor da supremacia branca chamado End Apathy ("fim à apatia", em tradução livre). A organizacão vinha rastreando Page desde 2000, quando ele tentou comprar produtos da National Alliance, um conhecido grupo racista.

Outra ONG, a Responsible for Equality and Liberty, encontrou vínculos entre Page, sua banda e o Stormfront, site da internet em favor da supremacia branca.

Vítimas. Aumentou ontem de seis para sete as vítimas dos disparos do atirador neonazista, com a morte de Satwant Singh Kalela, de 62 anos, presidente do templo sikh de Oak Creek. Entre as outras seis vítimas está uma mulher de 41 anos, Paramjit Kaur. Dois feridos, incluindo policial Brian Murphy, de 51 anos, continuam internados em estado muito grave.

Murphy foi o primeiro policial a chegar ao templo e estava tentando socorrer uma das vítimas, do lado de fora do prédio, quando foi atingido por nove tiros disparados em curta distância. Page atirou também contra outros policiais e acabou morto por um agente com um tiro de rifle.

O governo americano classifica a tragédia de "incidente de terrorismo doméstico". A comunidade sikh acredita ter sido vítima do ódio do atirador aos radicais muçulmanos.

Originária na atual fronteira entre Índia e Paquistão, a religião sikh é monoteísta e seus seguidores não cortam os cabelos, mantidos pelos homens num turbante.

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