Atirador largou sessões psiquiátricas

Jovem que matou 15 tinha depressão; polícia investiga aviso postado na internet horas antes de que promoveria chacina

Andrei Netto, WINNENDEN, ALEMANHA, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

O adolescente Tim Kretschmer, de 17 anos, autor de uma chacina que deixou 15 mortos, 12 dos quais na escola Albertville, em Winnenden, na Alemanha, na quarta-feira, havia iniciado um tratamento psiquiátrico contra depressão em 2008, mas abandonou as sessões apenas três meses depois. A angústia e o abatimento que revelava então, segundo informaram familiares à polícia do Estado de Baden-Wurttemberg, tinham relações com o fim de um namoro. Veja os últimos momentos do atirador; durante fuga, jovem é cercado pela polícia em lojaA clínica na qual Kretschmer havia iniciado o tratamento é a mesma na qual um funcionário foi assassinado quarta-feira. O consultório se situa a algumas centenas de metros da Albertville Realschule e foi o local para onde o jovem fugiu após deixar a escola.Kretschmer também teria anunciado numa sala de bate-papo na internet, na noite de terça-feira, a intenção de realizar o massacre. Numa conversa que supostamente teria mantido com um jovem da Baviera de 17 anos, ele teria alertado: "Você ouvirá falar de mim amanhã." No dia prometido, 700 policiais tiveram de ser mobilizados para conter a fúria assassina do estudante.O diálogo veio à tona na manhã de ontem, quando o pai do adolescente bávaro Bernd - seu apelido de internet - informou a polícia. "Descobrimos nesta manhã (de ontem) que Tim K. trocou mensagens numa sala de chat na noite anterior aos crimes", disse ao Estado Konrad Jelder, chefe de polícia da região. "Ele usa uma frase que torna tudo muito mais claro: ?Ninguém vê o meu potencial.? Essa pode ser uma das explicações para o massacre." A autenticidade do diálogo, porém, foi desmentida pela empresa que mantém o website nos EUA e é investigada com a ajuda da Interpol. De acordo com as informações preliminares, Kretschmer teria dito: "Chega! Estou cansado desta vida inútil. É sempre a mesma coisa. Todos riem de mim. Estou falando sério. Tenho armas e vou à minha antiga escola. Preste atenção no que digo - amanhã você vai ouvir falar de mim. Lembre-se do nome do lugar: Winnenden."Bernd não teria acreditado nas afirmações, respondendo "LOL", acrônimo para a expressão "laugh out loud" - que, em tradução livre, significa "gargalhada".GRAVAÇÃO Ontem, novos detalhes foram fornecidos pela polícia. Às 9h30 de quarta, Kretschmer invadiria a escola que frequentou até 2008, armado com uma pistola Beretta 9mm e mais de 200 projéteis - cerca de 100 foram usados. No interior do prédio, o jovem abriu fogo, matando oito meninas e um menino, de entre 14 e 16 anos, além de três professoras. Ao perceber a chegada da polícia, Kretschmer fugiu a pé, matou o funcionário da clínica psiquiátrica, rendeu o motorista de um automóvel VW Sharan e ordenou a ele: "Tire-me daqui!" O motorista fugiu enquanto o atirador trocava tiros com a polícia. Kretschmer assumiu o volante e, na cidade vizinha de Wendlingen, a 40 quilômetros da escola, invadiu uma revenda de automóveis e matou um cliente de 46 anos e um vendedor, de 36. Um vídeo gravado por um cinegrafista amador, com uma câmera de celular, mostra os últimos momentos do atirador, no estacionamento da loja. Vestido de preto, ele se movimentava encurralado e impaciente. Ao supostamente tentar recarregar a arma, é atingido por um disparo em uma das pernas e cai. A sequência das imagens não foi divulgada, Segundo a polícia, no chão, o jovem teria cometido o suicídio.A dificuldade de capturar Kretschmer após quase três horas do início da chacina causou indignação na Alemanha.A responsabilidade da família de Kretschmer também é um dos focos da investigação. Segundo Hans-Dieter Wagner, diretor de Polícia de Esslingen, há dúvidas sobre as circunstâncias que levaram o jovem a ter acesso à arma com a qual praticou os crimes. O pai do jovem, um empresário de Winnenden, era membro de um clube de tiro da cidade e possuía 18 armas, todas legalizadas, uma das quais a usada na quarta-feira.

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