Atirador mata seis fiéis em templo e reacende debate sobre armas nos EUA

Seis pessoas foram mortas e três ficaram feridas gravemente ontem no templo sikh de Oak Creek, no Estado americano de Wisconsin, por um atirador não identificado até a madrugada de hoje. O episódio foi classificado como um "incidente terrorista doméstico" pelo chefe de polícia local, John Edwards, e está sob a investigação do FBI. A ação ocorreu 16 dias depois do massacre de 12 pessoas pelo estudante James Holmes, de 24 anos, em um cinema de Aurora, no Colorado.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2012 | 03h00

A proximidade entre os dois episódios reabre o debate sobre controles à venda de armas e munições no país. Trata-se de um dos mais fortes tabus nos EUA, um tema cuidadosamente afastado dos discursos políticos em períodos de eleições, como este semestre. Duas armas semiautomáticas encontradas no local pela polícia teriam sido usadas pelo atirador. Na madrugada de hoje, a polícia, acompanhada de especialistas em explosivos, isolou uma casa a 10 quilômetros do templo, onde residia o atirador.

O ataque de ontem ocorreu às 10h25 (12h25, no horário de Brasília), quando fiéis sikhs se preparavam para a cerimônia marcada para uma hora depois. Segundo a testemunha Ven Boba Ri relatou ao Journal Sentinel, um dos líderes espirituais foi a primeira vítima, fora do templo. O atirador entrou no prédio disparando e quatro pessoas morreram. Ele atirou em direção à cozinha, onde um grupo de mulheres preparava uma refeição. Desesperadas com os tiros, elas se esconderam em uma despensa. Pelo menos uma delas teve o pé machucado por estilhaços.

Ao deixar o prédio, o atirador fez sua última vítima e feriu, com vários disparos, um policial que tentava socorrer um dos atingidos. Outro policial trocou tiros com o criminoso e o matou. Uma equipe da Swat entrou no prédio pouco antes das 12 horas (14 horas no Brasil) para verificar a informação de que haveria um outro atirador no prédio, com reféns. Essa suspeita foi desfeita e os três feridos foram encaminhados a hospitais. "Nunca pensamos que isso pudesse acontecer na nossa comunidade", disse Devendar Nagra, de 48 anos, cuja irmã ficou ferida. "Nunca fizemos mal a ninguém", completou.

A identidade do atirador não foi divulgada até a meia-noite de ontem. Testemunhas o descreveram como um homem branco, aparentando 40 anos e 1,80m de altura, vestido com camiseta branca e calça preta.

Um dos feridos foi o presidente do templo sikh, Satwant Kaleka, de 65 anos. Ele foi atingido nas costas e submetido a uma cirurgia. Como os outros dois feridos, Kaleka estava em estado grave. Entre eles está um policial de mais de 20 anos de serviços cujo nome não foi divulgado.

O templo não teria recebido nenhuma ameaça nos últimos dias, segundo Darshan Dhaliwal, sobrinho de Kaleka. "Isso foi uma insanidade", afirmou.

O templo sikh de Oak Creek foi fundado em 1997 por 25 famílias em outro ponto da cidade. O atual prédio, no subúrbio de Milwaukee, foi concluído dez anos depois e inclui uma biblioteca para crianças. Há cerca de 250 fiéis. Neste ano, a comunidade celebra os cem anos da edificação do primeiro templo sikh nos EUA, em Stockton, na Califórnia. A polícia não divulgou a motivação do crime contra o grupo religioso, que denuncia sofrer perseguição desde o 11 de Setembro (mais informações nesta página).

Em 2005, a cidade de Oak Creek, de 30 mil habitantes, foi palco de outro massacre. Terry Ratzmann, então com 44 anos, matou a tiros sete pessoas durante uma reunião de fiéis da Living Church of God no Hotel Sheraton e se suicidou.

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