Atirador mata soldado, invade prédio do Parlamento e é morto no Canadá

Atirador mata soldado, invade prédio do Parlamento e é morto no Canadá

Investigação. Autoridades tratam caso como ataque terrorista e identificam criminoso como Michael Zehaf-Bibeau, canadense de 32 anos convertido ao islamismo; policiais investigam se há outros envolvidos no planejamento e na execução do ataque em Ottawa

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2014 | 02h01

Em um episódio classificado de "terrorismo" pelo governo, um homem convertido ao islamismo atacou ontem a tiros o Parlamento canadense, depois de matar um soldado que guardava o Memorial Nacional da Guerra. O autor dos disparos foi identificado como Michael Zehaf-Bibeau, cidadão canadense que teve seu passaporte confiscado depois de manifestar a intenção de combater nas fileiras de grupos radicais no exterior.

Com 32 anos, Zehaf-Bibeau integrava um grupo de 90 pessoas monitoradas pela polícia em razão do risco de se juntarem a jihadistas em outros países, segundo o jornal canadense Globe and Mail. A situação é idêntica à de outro convertido ao Islã que, na segunda-feira, atropelou dois soldados de maneira intencional em Quebec, matando um deles, em outro episódio considerado como um ataque terrorista pelas autoridades canadenses (mais informações nesta página). Ontem, não estava claro se há relação entre os dois episódios.

Depois de uma busca de dez horas por outros potenciais suspeitos, a polícia conclui que Zehaf-Bibeau agiu sozinho. Por volta das 20h30 (22h30, horário de Brasília), o esquema de segurança que havia permanecido em vigor durante todo o dia foi suspenso e os funcionários do Parlamento, que estavam trancados em suas salas, foram autorizados a sair do edifício.

Os ataques começaram às 9h52 no Memorial Nacional da Guerra, onde Zehaf-Bibeau matou a tiros o soldado Nathan Cirillo, de 24 anos. Em seguida, ele se dirigiu ao Parlamento, conseguiu entrar no prédio e começou a atirar contra seguranças. Cerca de 30 tiros foram disparados antes de Zehaf-Bibeau ser morto em um corredor próximo da entrada do plenário, onde parlamentares estavam em sessão, pelo sargento Kevin Vickers

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, se reunia com integrantes de seu partido em uma sala próxima do local onde o tiroteio ocorreu. Ele foi levado do edifício para um local "seguro", segundo seu porta-voz, Jason MacDonald. No total, o ataque deixou três pessoas feridas, mas nenhuma corria risco de morte.

O ataque causou pânico em Ottawa, a capital do Canadá, em razão da suspeita de que havia mais de um atirador, que teriam realizado atentados simultâneos em três diferentes locais. Até que a polícia liberasse o local, o centro da cidade estava isolado, enquanto funcionários do Parlamento permaneciam em suas salas, sem saber se havia outros atiradores no edifício.

Ontem, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, a paquistanesa Malala Yousafzai, receberia uma medalha em outro ponto de Ottawa. O evento foi cancelado.

À noite, Harper fez um pronunciamento no qual afirmou que o ataque foi um ato de terrorismo. "Juntos, vamos permanecer vigilantes contra aqueles dentro e fora do país que querem nos prejudicar." À tarde, ele havia falado por telefone com o presidente americano, Barack Obama. "Quando se trata de combater o terrorismo, os EUA e o Canadá têm de estar totalmente sincronizados, como estivemos no passado", ressaltou Obama. Segundo ele, o incidente no Canadá tem o potencial de influenciar as respostas de seu governo a ameaças terroristas dentro dos EUA.

No início do mês, o Canadá se uniu à coalizão internacional que combate o Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque. Logo depois do anúncio, líderes da organização sugeriram a seus militantes que matassem canadenses em retaliação à adesão do país aos esforços liderados pelos EUA.

O atropelamento intencional de dois soldados, na segunda-feira, havia levado o governo a elevar de "baixo" para "médio" o risco de atentados terroristas. O porta-voz do Ministério de Segurança Pública, Jean-Christophe de Le Rue, disse na ocasião que a mudança indicava a avaliação de que "um indivíduo ou grupo dentro do Canadá ou no exterior tem a intenção ou a capacidade de cometer um ato de terrorismo" contra o país.

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