Atirador matou crianças de 6 e 7 anos

Adam Lanza, que atacou uma escola em Connecticut, vitimou 12 meninas e 8 meninos, além de 7 adultos; Obama visita hoje a cidade

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2012 | 02h02

As 20 crianças mortas por Adam Lanza, atirador que invadiu uma escola em Newtown, no Estado americano de Connecticut, na sexta-feira, tinham idades entre 6 e 7 anos. A informação foi divulgada ontem pelas autoridades que investigam o caso. Os investigadores também descartaram a hipótese de que algum funcionário da escola fundamental Sandy Brook tenha autorizado a entrada do criminoso.

O massacre cometido por Lanza teve um total de 27 vítimas, além do próprio atirador, que cometeu suicídio. Antes de ir à Sandy Hook, ele matou a própria mãe na casa deles. Entre as crianças assassinadas, 12 eram meninas e 8 eram meninos.

Os adultos foram identificados como Rachel Davino, 29 anos, Dawn Hochsprung, 47 anos, Anne Marie Murphy, 52 anos, Lauren Rousseau, 30 anos, Mary Sherlach, 56 anos, e Victoria Soto, 27 anos. Dawn era a diretora e Mary era a psicóloga da escola. Lauren era professora substituta e ficaria na Sandy Hook por apenas oito semanas.

Victoria Soto, também professora, escondeu seus alunos em armários e salas da escola antes de dizer ao atirador que eles estavam em uma aula de ginástica e ser morta.

Uma sobrevivente, Ivonne Cech, bibliotecária da escola, disse ter se trancado por 45 minutos em um armário com 18 alunos da quarta série, dois balconistas e um assistente.

O presidente dos EUA, Barack Obama, voltou a manifestar pesar pelas vítimas do massacre e anunciou que visitará Newtown hoje. Em pronunciamento, o presidente exortou os americanos a mostrarem solidariedade após a chacina, a pior no país desde o massacre de Virginia Tech, em 2007, que deixou 33 mortos.

"É preciso tomar ações significativas para evitar novas tragédias como essa", disse o presidente. Obama, no entanto, evitou falar em controle de armas, tema polêmico nos EUA.

A família Lanza divulgou ontem uma nota lamentando o massacre e a morte de Adam e Nancy. A mensagem afirma que a família sofre junto com a comunidade pelas perdas "incompreensíveis" e oferece orações aos demais familiares de mortos na tragédia. "Toda a família está traumatizada", diz o texto.

Personalidade. Investigadores ainda recolhem informações que revelem o que levou Adam, de 20 anos, a cometer o crime. Os indícios colhidos até o final da manhã de ontem apontavam para uma combinação conhecida em outros episódios trágicos nos Estados Unidos - distúrbio mental e acesso a armas.

À polícia, o irmão de Adam, Ryan Lanza, disse que o atirador tinha distúrbios psiquiátricos, sem dar detalhes. Ele também afirmou que não falava com Adam havia dois anos.

O Washington Post trouxe ontem a informação de que as duas pistolas semiautomáticas usadas pelo atirador na escola estavam registradas no nome da mãe e primeira vítima, Nancy. Ela era colecionadora. O criminoso deixara no carro um fuzil e trazia consigo o documento de identidade do irmão, o contador Ryan, quatro anos mais velho, o que provocou a confusão inicial sobre a identidade do atirador.

Adam se formou em 2010 na Newtown High School. Antigos colegas o descreveram como um jovem inteligente, mas inquieto e com poucos amigos.

Vizinhos e colegas de Adam na escola disseram que era um menino tímido, mas fazia parte do clube de tecnologia, tinha especial interesse em computadores e era reverenciado como o gênio da classe.

Ao Washington Post, o vizinho Ryan Kraft, de 25 anos, lembrou que Nancy Lanza o deixara várias vezes em sua casa quando a família saía para jantar fora porque ele brigava com o irmão. Quando garoto, ele parecia deprimido, birrento, mas não violento, afirmou.

Aparentemente, o processo de divórcio de Nancy e Peter Lanza, concluído em 2009, teve impacto na saúde mental de Adam. Peter é vice-presidente da GE Energy Financial Services e mora na cidade de Stamford, também em Connecticut, com sua nova família.

O irmão Ryan também deixou o convívio de Adam e da mãe, Nancy, para morar em Hoboken, em Nova Jersey.

Na noite de sexta, a população da pequena cidade se reuniu nas igrejas para rezar pelos mortos. De acordo com a rede de televisão CNN, a cidade de Newtown registrou apenas um assassinato nos últimos 10 anos.

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