Atirador norueguês alega ter agido em autodefesa

Breivik diz em primeiro dia de julgamento que defendeu Noruega do multiculturalismo com ataques que mataram 77

OSLO , O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h03

O fundamentalista cristão norueguês Anders Behring Breivik, de 33 anos, alegou legítima defesa no massacre de 77 pessoas em Oslo e na ilha de Utoya, em julho do ano passado. Desafiador e impassível, e uma única vez com lágrimas nos olhos, ele rejeitou sua culpa no crime e a autoridade da corte. O terrorista disse ter agido para proteger o Estado norueguês do multiculturalismo.

Nas provas apresentadas diante de um tribunal lotado e chocado, gravações de telefonemas feitos à polícia pelo atirador, indicaram que ele ofereceu sua rendição à tropa de elite da polícia norueguesa "após ter concluído sua missão". No período entre o primeiro telefonema e o último tiro, afirmaram os promotores, 41 pessoas foram mortas.

Anders Behring Breivik, 33 anos, admitiu em diversas ocasiões que cometeu o massacre em 22 de julho, quando 69 pessoas foram mortas a tiros na ilha de Utoya, perto de Oslo, onde a ala jovem do Partido Trabalhista realizava um acampamento de verão. Horas antes, a explosão de um carro no centro de Londres matou oito pessoas.

Enquanto as provas eram apresentadas e alguns familiares das vítimas e sobreviventes presentes ao tribunal começaram a chorar, Breivik permaneceu impassível e num certo momento discretamente bocejou. Somente quando foi apresentado um vídeo realizado por ele antes dos ataques, para promover sua causa, lágrimas escorreram pelo seu rosto.

"Reconheço meus atos, mas não minha culpa e afirmo que o que fiz foi como autodefesa", disse ao juiz. Antes ele havia negado a responsabilidade criminal alegando que protegia a Noruega contra a imigração islâmica.

Breivik não mostrou nenhuma emoção quando a promotora Inga Bejer Engh solenemente e cuidadosamente anunciou os nomes dos mortos.

"Não reconheço os tribunais noruegueses", disse ele num outro momento da audiência. "Vocês receberam seu mandato de partidos políticos que apoiam o multiculturalismo. Não reconheço a autoridade da corte". / THE NEW YORK TIMES

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