Atirador norueguês diz que não agiu sozinho e ex-premiê era um dos alvos

ENVIADO ESPECIAL / OSLO

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2011 | 00h00

Duas células terroristas teriam ajudado o norueguês Anders Behring Breivik a realizar os atentados de sexta-feira em Oslo e na Ilha de Utoya. A afirmação de que não agiu sozinho foi feita ontem pelo próprio autor confesso dos ataques, durante sua primeira audiência numa corte da capital.

Segundo o jornal Aftenposten, que cita fontes policiais, Gro Harlem Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega, seria seu alvo. A ex-líder do Partido Trabalhista governou o país por três vezes, nos anos 80 e 90. Poucas horas antes do massacre, ela discursou na Ilha de Utoya. Breivik, segundo depoimento a policiais, teria "se atrasado" e Brundtland escapou por pouco.

Diante do juiz, o extremista disse que os produtos químicos usados no carro-bomba que explodiu em Oslo vieram da Polônia, informação confirmada em Varsóvia. Sobre o objetivo da ação, Breivik respondeu: "Queria enviar um sinal à Europa e salvá-la do islamismo e do marxismo."

Desde cedo, jornalistas e uma pequena multidão se reuniram diante do Tribunal de Justiça de Oslo, perto do distrito administrativo - alvo do ataque. Antes da audiência, segundo o tabloide VG, Breivik teria pedido à polícia que buscasse em seu apartamento um uniforme de gala, com o qual pretendia aparecer em público. O pedido foi negado. Breivik chegou escoltado às 13h30. Pelo vidro do carro, deixou entrever um sorriso. Nesse momento, uma pessoa se aproximou do veículo e, aos gritos, o chamou de "assassino".

Em rápido comunicado, o juiz da corte, Kim Heger, afirmou que decidira contrariar os procedimentos padrões da Justiça e realizar a audiência a portas fechadas em razão "do peso" do caso. Nos bastidores, entretanto, a informação é a de que a Justiça temia que Breivik se valesse da presença da mídia para enviar mensagens cifradas a cúmplices.

Em depoimento de 40 minutos, o radical confirmou ter orquestrado os massacres, mas se disse "inocente". Depois, qualificou seus atos de "cruéis, mas necessários" e disse estar "pronto para passar o resto da vida na prisão".

O extremista mudou a versão de que agira sozinho e ontem admitiu ter contado com a ajuda de "outras duas células". Ele afirmou ter adquirido os produtos químicos que usou nos explosivos de um fornecedor da Polônia. Em Varsóvia, a informação foi confirmada pela Agência de Segurança Interior, que interrogou o vendedor dos produtos, sem prendê-lo.

Ainda que a versão de que pertence a um suposto grupo fundamentalista cristão - uma reedição da Ordem dos Templários - constasse de seu "manifesto" de 1,5 mil páginas disponível na internet, os detalhes revelados ontem surpreenderam a polícia norueguesa e a Justiça. "O acusado fez declarações que exigirão mais investigações, em especial quando diz que "há outras duas células na organização"", disse Heger. O juiz decretou a prisão provisória de Breivik por oito semanas, tempo no qual o extremista ficará em uma solitária, incomunicável.

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